Após o Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC) manter nesta quarta-feira (17) a taxa básica de juros dos Estados Unidos na faixa entre 3,50% e 3,75% ao ano, conforme amplamente esperado pelo mercado, o presidente do Federal Reserve (Fed), Kevin Warsh, anunciou a criação de uma força-tarefa para revisar aspectos centrais da atuação da autoridade monetária.

Em sua primeira coletiva de imprensa à frente do banco central norte-americano, Warsh informou que os trabalhos estarão concentrados em cinco áreas: comunicação, gestão do balanço patrimonial do Fed, uso de fontes de dados, produtividade e mercado de trabalho, e o arcabouço de inflação.

Segundo o chairman, cada um desses temas será analisado nas próximas semanas, com o objetivo de identificar melhorias e apresentar propostas de atualização para a condução da política monetária.

No caso da revisão do arcabouço de inflação, Warsh afirmou que a equipe deverá concentrar esforços na compreensão dos fatores estruturais que impulsionam a alta dos preços na economia norte-americana.

O dirigente também destacou mudanças na forma de comunicação do banco central. Ao comentar o comunicado divulgado após a decisão de juros, observou que o texto foi significativamente reduzido.

“Está mais curta, mais simples e dispensa algumas coisas que normalmente eram ditas”, afirmou. O comunicado desta reunião teve 140 palavras, ante 341 palavras na versão anterior.

Warsh também abordou as projeções econômicas divulgadas pelo Fed, conhecidas como “dot plot”, confirmando a percepção de parte dos analistas de que não enviou suas estimativas individuais para juros e atividade econômica.

Outro ponto de destaque foi a ausência do chamado forward guidance — instrumento utilizado pelo banco central para sinalizar possíveis caminhos futuros da política monetária.

Segundo o presidente do Fed, a omissão foi deliberada. Na avaliação de Warsh, o atual estágio da economia e da política monetária não é adequado para a divulgação de orientações antecipadas sobre os próximos movimentos da autoridade monetária.