Os movimentos recentes das moedas dos principais países produtores e consumidores de borracha natural têm adicionado volatilidade às cotações da commodity. A análise consta no novo relatório quinzenal de borracha da DATAGRO, publicado na última sexta-feira (28).

Até o dia 27 de agosto, o baht tailandês e a rupia indonésia registraram respectivas valorizações de 1,88% e 1,63% frente ao fechamento de julho – esse movimento tende a oferecer suporte às cotações internacionais da borracha ao reduzir, em moeda local, a atratividade das exportações.

Do lado da demanda, o yuan chinês acumula valorização de 6,01% em 12 meses, favorecendo o poder de compra do maior consumidor mundial de borracha natural e contribuindo para limitar parte da pressão cambial sobre as importações.

No Brasil, o câmbio tem exercido influência em sentido diferente. Após um período de maior fortalecimento global do dólar em junho, sustentado pelas tensões no Oriente Médio, pela resiliência da economia norte-americana e pela cautela do Federal Reserve, fatores domésticos passaram a ganhar maior relevância sobre o câmbio.

O aumento das incertezas fiscais e eleitorais e a redução da exposição de investidores estrangeiros aos ativos brasileiros levaram o dólar novamente para próximo de R$ 5,16 no dia 27 de agosto.

“Para o restante do ano, a expectativa de maior volatilidade associada ao processo eleitoral, a manutenção das preocupações fiscais e a flexibilização gradual da política monetária brasileira mantêm um viés de valorização da moeda americana”, projeta a DATAGRO.