A produção de soja da Argentina deve atingir 49 milhões de toneladas na safra 2026/27, segundo relatório do adido do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) em Buenos Aires.
O avanço é sustentado pelo aumento da área plantada, mas limitado pela expectativa de retorno da produtividade a níveis mais próximos da média histórica, após o bom desempenho do ciclo atual.
A área cultivada deve crescer para 17,4 milhões de hectares, acima dos 16,5 milhões estimados para 2025/26.
No entanto, o USDA destaca que os preços dos fertilizantes serão determinantes para a definição final da área, em meio aos impactos da guerra no Oriente Médio. Como a soja demanda menos adubação que o milho, custos elevados podem incentivar maior migração para a oleaginosa.
Além disso, uma eventual redução das retenciones — atualmente em 24% para o grão e 22,5% para derivados — poderia ampliar ainda mais o plantio.
Esmagamento e importações em queda de soja devem recuar para 42 milhões de toneladas, ante 43 milhões em 2025/26, refletindo menor oferta importada e margens mais pressionadas.
As importações argentinas estão projetadas em 6,5 milhões de toneladas, abaixo das 7 milhões estimadas para o ciclo atual, diante da expectativa de menor produção no Paraguai, principal fornecedor externo.
As exportações de soja em grão devem permanecer em 5,5 milhões de toneladas, com a China mantendo posição dominante, absorvendo mais de 90% dos embarques.
No segmento industrial, a produção de óleo de soja deve alcançar 8,38 milhões de toneladas, praticamente estável frente ao ciclo anterior (8,6 milhões).
As exportações do produto devem se manter em 6,3 milhões de toneladas, sustentadas pela demanda global firme por óleos vegetais.
A Índia deve continuar como principal destino, respondendo por mais de 60% das exportações argentinas de óleo de soja.