O Serviço de Inspeção de Saúde Animal e Vegetal (APHIS), do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), confirmou nesta quarta-feira (3) a detecção de um caso de mosca-varejeira-do-novo-mundo (New World Screwworm – NWS) em um bovino no Condado de Zavala, no Texas.
Segundo o órgão, o caso foi identificado em um bezerro de três semanas de idade. As larvas da praga foram encontradas na região umbilical do animal. Até o momento, não há registro de outras ocorrências.
A mosca-varejeira-do-novo-mundo é considerada uma das pragas mais prejudiciais à pecuária, pois suas larvas se alimentam de tecido vivo, provocando feridas graves, perda de desempenho dos animais e prejuízos econômicos ao setor.
Durante coletiva de imprensa, a secretária de Agricultura dos EUA, Brooke Rollins, orientou moradores das áreas próximas a monitorarem animais de estimação e de produção em busca de sinais de infestação, como feridas infectadas, ovos ou larvas. A secretária ressaltou ainda que a praga não representa risco à cadeia de abastecimento de alimentos, uma vez que não infesta carne processada, frutas ou hortaliças.
A mosca-varejeira havia sido erradicada dos Estados Unidos na década de 1960, após um amplo programa de controle biológico que confinou a praga à América Central. Nos últimos anos, entretanto, novos focos foram registrados em países como Panamá, Costa Rica, Nicarágua e Honduras. Em 2024, o México confirmou seu primeiro caso da doença em décadas.
De acordo com o USDA, mais de 8 mil armadilhas foram instaladas nos Estados Unidos desde o início de 2025 para monitoramento da praga. As ações resultaram na análise de cerca de 58 mil amostras e na inspeção de 19 mil animais silvestres, todos com resultados negativos até a confirmação do caso no Texas.
Em publicação nas redes sociais, Rollins atribuiu o avanço da praga em direção à fronteira norte-americana ao transporte ilegal de animais provenientes do México. A secretária informou ainda que realizou reuniões com autoridades da Comissão de Saúde Animal do Texas, pecuaristas locais e representantes do governo estadual para discutir medidas de contenção.
Como parte da estratégia de prevenção, o USDA mantém desde maio de 2025 a suspensão das importações de animais vivos pela fronteira sul dos Estados Unidos. A medida restringe a entrada de gado oriundo do México e tem reduzido a oferta de animais para reposição em estados como o Texas.