A elevada umidade tem atrasado a colheita do milho tardio na Argentina, enquanto temperaturas acima da média e baixa radiação solar aceleram o desenvolvimento do trigo e elevam o risco de doenças.

Segundo o levantamento sobre as condições das lavouras da Bolsa de Comércio de Rosário (BCR), no início de agosto, 47% do milho tardio, equivalente a cerca de 150 mil hectares, ainda não havia sido colhido. Os trabalhos ficaram praticamente interrompidos durante julho devido ao excesso de umidade.

Segundo técnicos consultados pela BCR, já foram identificadas complicações na germinação de grãos em algumas áreas, aumentando a preocupação com a qualidade da produção.

No trigo, as lavouras apresentam, de forma geral, bom desenvolvimento, mas o clima mais quente acelerou o ciclo. Em algumas regiões, como Corral de Bustos e María Susana, os cultivos já apresentam sinais de antecipação da fase de encanamento.

A elevada umidade, por outro lado, favoreceu o crescimento das raízes, permitindo que as plantas alcançassem camadas mais profundas do solo e acessassem maior quantidade de nutrientes.

Outro fator de atenção para os agricultores argentinos é a baixa radiação solar. Segundo a rede de estações GEA/BCR, a radiação média diária entre 1º de junho e 31 de julho ficou entre 20% e 40% abaixo do registrado no mesmo período de 2025.

Ao mesmo tempo, a temperatura média ficou 7% acima, combinação que reduziu as condições ambientais favoráveis ao desenvolvimento do trigo em comparação com o ano anterior.

As atuais condições climáticas também tornam as lavouras suscetíveis ao avanço de doenças nos campos de trigo. A BCR ressalta que ainda não há ocorrência generalizada, mas já foram identificadas manchas de queima bacteriana em Pergamino, enquanto técnicos de outras regiões avaliam que o risco de infecções fúngicas aumentou.

A combinação de temperaturas elevadas e menor radiação também reduz o chamado quociente fototérmico, indicador utilizado para avaliar as condições de crescimento do trigo.

De acordo com a BCR, esse cenário pode limitar a formação de perfilhos e, consequentemente, reduzir o potencial de espigas por metro quadrado. Até o momento, porém, não é possível determinar o impacto dessas condições sobre a produtividade.

Em Bigand, foram registrados entre 500 e 600 perfilhos por metro quadrado, enquanto em Marcos Juárez as lavouras estão em pleno perfilhamento e apresentam bom número de perfilhos.

Já na região de Alvear, no entanto, técnicos avaliam que seriam necessários entre 15 e 20 dias de frio e sol para reduzir as condições favoráveis ao avanço das doenças.