A Ucrânia busca novos rotas alternativas para manter as exportações de grãos diante da intensificação dos ataques russos contra a sua infraestrutura portuária no Mar Negro.
Segundo o ministro da Agricultura, Taras Vysotskyi, os novos corredores logísticos devem atingir capacidade máxima operacional até o fim de agosto, mas só conseguirão absorver entre 50% e 55% do volume mensal anteriormente embarcado pelos portos da região, equivalente a cerca de 6 milhões de toneladas.
Os ataques russos têm afetado principalmente o complexo portuário de Odessa, responsável pela maior parte das exportações agrícolas do país.
De acordo com o Ministério da Infraestrutura da Ucrânia, somente em julho foram registrados 35 ataques a navios nos portos, 22 ataques a embarcações no mar e 67 ofensivas contra instalações portuárias.
Como consequência, armadores suspenderam escalas na região por quase duas semanas, justamente durante o avanço da colheita de verão.
Para reduzir os impactos, o governo ucraniano aposta no transporte ferroviário, rodoviário e pela hidrovia do rio Danúbio. No entanto, a seca e os baixos níveis de água limitam a capacidade da rota fluvial, enquanto a estrutura terrestre demandará semanas para operar de forma estável.
Além disso, o uso dessas alternativas deve elevar os custos logísticos entre US$ 45 e US$ 50 por tonelada, pressionando ainda mais a rentabilidade dos produtores.
Segundo Vysotskyi, os agricultores já enfrentam queda média de 30% nos preços dos grãos e oleaginosas, enquanto as perdas diretas para o setor agrícola podem variar entre US$ 1,5 bilhão e US$ 3 bilhões em 2026.
Em resposta, o governo aprovou nesta semana o reajuste dos preços mínimos de exportação como medida emergencial de apoio ao setor.
Nas últimas safras, a Ucrânia respondeu por cerca de 6% das exportações globais de trigo e 11% das vendas internacionais de milho.
Para o ministro, não há alternativa de longo prazo aos portos de Odessa e defendeu maior apoio internacional para garantir a segurança da navegação na região.