Apesar da oferta global abundante e da demanda crescente, a participação brasileira no mercado internacional do trigo deve permanecer limitada nos próximos meses. Ao mesmo tempo, a evolução da qualidade do trigo paulista e o potencial de expansão da produção estadual reforçam as oportunidades para a cadeia produtiva. O cenário foi debatido durante a segunda reunião da Câmara Setorial do Trigo do Estado de São Paulo, realizada nesta quinta-feira (30), na sede da Ouro Safra, em Pilar do Sul (SP), com transmissão on-line pelo canal do Sindustrigo.
Para o presidente da Câmara Setorial do Trigo do Estado de São Paulo, Ruy Zanardi, o encontro reforçou a importância de reunir todos os elos da cadeia para acompanhar os principais fatores que influenciam o mercado e discutir estratégias para o desenvolvimento da triticultura paulista.
“A expectativa é de que a próxima safra paulista apresente trigo de excelente qualidade, já que o plantio vem se desenvolvendo bem. Embora enfrentemos desafios relacionados ao clima e ao cenário internacional, acreditamos que o estado de São Paulo deva escapar dos impactos mais severos do El Niño”, afirmou Zanardi.
Segundo o presidente, fatores como as oscilações nos preços internacionais, o aumento dos custos de fertilizantes e as incertezas geopolíticas continuam impondo desafios à cadeia produtiva. “São variáveis sobre as quais não temos controle e com as quais precisamos conviver. Ainda assim, a expectativa é de uma safra de ótima qualidade. Mesmo com uma produção um pouco menor, a projeção é de aproximadamente 320 mil toneladas na safra 2026/2027″, frisou.
Em complemento, o presidente do Sindustrigo, Max Piermartiri, reafirmou que a evolução paulista atingiu um padrão de qualidade excepcional. “Não temos receio de afirmar que, na safra 2025/2026, o trigo paulista está entre os melhores da América do Sul, superando com ampla vantagem outros trigos nacionais, tanto em qualidade quanto no volume disponibilizado ao mercado”.
Ainda de acordo com ele, se a expansão das lavouras e da produção de trigo continuar ocorrendo os moinhos terão capacidade de absorvê-la. “Haverá demanda e, certamente, os produtos panificados produzidos com esse trigo continuarão se destacando pela qualidade”, alertou.