O Painel 6 – Avanços na Implementação dos Biocombustíveis no Transporte Marítimo integrou a programação da 10ª edição da DATAGRO Abertura de Safra Cana, Açúcar e Etanol, que acontece nesta quarta-feira (11) e vai até amanhã (12). O debate reuniu especialistas para discutir inovações tecnológicas, regulamentações e o potencial de novos mercados para combustíveis renováveis no setor naval.

O painel foi moderado por Guilherme Nolasco, presidente executivo da União Nacional do Etanol de Milho (UNEM), e contou com a participação de Danilo Veras, vice-presidente de Políticas Públicas e Regulatórias para a América Latina da A.P. Moller-Maersk; Flávio Haruo Mathuiy, comandante e assessor da Comissão Coordenadora para os Assuntos da Organização Marítima Internacional (IMO) do Ministério da Marinha; Robert Klen, gerente de vendas de novas construções da Wärtsilä; e Thiago Arruda, vice-presidente da European Energy.

Durante o debate, os participantes destacaram que a descarbonização do transporte marítimo abre uma nova frente de demanda para biocombustíveis, incluindo o etanol. Segundo Flávio Mathuiy, a Organização Marítima Internacional vem estabelecendo regras e metas globais para reduzir emissões no setor, com estratégias que incluem eficiência energética, novos padrões de combustíveis e metas de descarbonização até 2050.

Nesse contexto, os biocombustíveis surgem como uma alternativa relevante. O comandante ressaltou que o mercado marítimo possui grande escala de consumo energético e pode representar uma oportunidade significativa para produtores de combustíveis renováveis, desde que haja certificação de sustentabilidade e capacidade de oferta.

Guilherme Nolasco destacou que decisões recentes da IMO sobre o uso de combustíveis sustentáveis ajudam a orientar o desenvolvimento de novas embarcações já preparadas para utilizar diferentes alternativas energéticas.

Na visão de Danilo Veras, da Maersk, o avanço dessa agenda depende do cumprimento de uma série de requisitos regulatórios e técnicos. Ele afirmou que o Brasil possui potencial para desempenhar papel importante na transição energética global, especialmente com o uso de diferentes rotas de biocombustíveis.

Do lado tecnológico, Robert Klen explicou que a Wärtsilä já desenvolve motores modulares capazes de operar com diversos combustíveis renováveis. Segundo ele, os armadores projetam embarcações com vida útil de cerca de 25 anos, o que exige equipamentos preparados para atender às futuras mudanças no padrão energético.

Thiago Arruda acrescentou que novas rotas de combustíveis sintéticos, como e-etanol e e-metanol, também estão em desenvolvimento e devem fazer parte de um conjunto de soluções para a descarbonização do transporte marítimo.

Ao final do painel, os participantes ressaltaram que o Brasil possui capacidade produtiva e experiência no uso de biocombustíveis, o que pode abrir espaço para atender novas demandas globais. Para isso, segundo os especialistas, será necessário um esforço conjunto da indústria, do setor produtivo e de políticas públicas para viabilizar essa expansão de mercado