A Etiópia deve ampliar suas exportações de café para a China após a implementação de um acordo comercial que elimina tarifas de importação para 100% dos produtos do país africano.
A medida, anunciada por autoridades chinesas na última semana, busca aprofundar as relações comerciais entre Adis Abeba e Pequim e é vista como estratégica para o setor cafeeiro etíope.
Com crescimento anual de cerca de 15%, o consumo de café na China se consolida como uma das principais apostas da Etiópia para diversificar destinos de exportação.
Maior produtora de café da África, o país estabeleceu a meta de alcançar US$ 2 bilhões em receitas anuais com exportações até 2027, tendo o mercado chinês como pilar central dessa estratégia.
Dados da Ethiopian Coffee and Tea Authority mostram que, nos primeiros nove meses do ano fiscal 2025/26, os embarques para a China cresceram 40% na comparação anual.
Apesar do potencial, o avanço das exportações enfrenta entraves estruturais. Gargalos logísticos, tensões internas e limitações no Porto de Djibouti seguem impactando o fluxo de embarques e a qualidade do produto.
Para mitigar esses problemas, o governo etíope investe na modernização da infraestrutura, com destaque para a ferrovia que liga Adis Abeba ao porto.
Outro desafio está no aumento das exigências fitossanitárias por parte da China. Segundo o diretor-geral da autoridade cafeeira etíope, Adugna Debela, “a tarifa é zero, mas a barreira de qualidade é alta”.
A necessidade de padronização nos processos de produção, como lavagem e secagem dos grãos, é considerada essencial para atender aos requisitos do mercado chinês.