Os exportadores de têxteis e vestuário da Índia avaliam que a nova tarifa de 10% imposta pelos Estados Unidos reduzirá a competitividade dos produtos indianos frente a outros fornecedores asiáticos. A avaliação foi divulgada pela Confederação da Indústria Têxtil Indiana (CITI).

A medida, que entrou em vigor nesta sexta-feira, integra um pacote de tarifas de 10% e 12,5% aplicado pelo governo de Donald Trump a mercadorias de 60 países, sob a justificativa de fiscalização insuficiente das proibições de importação de cadeias produtivas ligados ao trabalho forçado.

Segundo a CITI, a Índia ficou de fora das cotas tarifárias que permitem a entrada nos Estados Unidos, sem a tarifa adicional, de determinados embarques de Bangladesh, Camboja, Indonésia e Malásia produzidos com algodão e fibras de origem norte-americana.

O presidente da entidade, Ashwin Chandran, afirmou à Reuters que o tratamento diferenciado pode deslocar pedidos internacionais da indústria indiana para esses concorrentes.

As exportações indianas de têxteis e vestuário para os Estados Unidos, principal mercado do setor, somam cerca de US$ 11 bilhões por ano, de acordo com a associação.

Em 2024, Bangladesh exportou aproximadamente US$ 8 bilhões em vestuário ao mercado americano, enquanto Indonésia e Camboja embarcaram cerca de US$ 4 bilhões cada, beneficiando-se agora do novo mecanismo de cotas.

O impacto efetivo das tarifas dependerá da participação de algodão dos EUA e de tecidos elegíveis às isenções nas cadeias produtivas desses países.

Já o fundador do centro de estudos Global Trade Research Initiative, Ajay Srivastava, estima que cerca de 70% das exportações indianas para os Estados Unidos — incluindo vestuário, máquinas, produtos químicos, plásticos, artigos de couro, joias e móveis — estarão sujeitas tanto às tarifas tradicionais quanto à nova cobrança.

As novas tarifas abrangem 99,4% das importações dos Estados Unidos, embora mantenham exceções para produtos como petróleo, gás, fertilizantes e determinados alimentos. Até o momento, o Ministério do Comércio da Índia não se pronunciou sobre a medida.