A produção de café da Tanzânia deverá alcançar 1,6 milhão de sacas de 60 kg na safra 2026/27, alta de 10,3% em relação às 1,45 milhão de sacas estimadas para o ciclo anterior, segundo relatório anual do adido do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) em Dar es Salaam.
O crescimento é atribuído principalmente à maturação total das áreas reabilitadas entre 2019 e 2024, além do estímulo provocado pelos preços elevados do café no mercado internacional. O relatório aponta que os produtores ampliaram investimentos em fertilizantes, equipamentos e manejo das lavouras diante das cotações mais atrativas.
Chuvas favoráveis e temperaturas estáveis também contribuíram para a recuperação da produtividade após períodos anteriores de seca. A Tanzânia é um dos três principais produtores mundiais da variedade arábica colombiano suave, responsável por cerca de 6% da oferta global desse tipo de café.
A área cultivada com café no país deverá avançar de 270 mil hectares em 2025/26 para 275 mil hectares em 2026/27, crescimento de quase 2%. Já a área colhida deve passar de 265 mil para 270 mil hectares. O avanço é puxado principalmente pelos produtores de robusta nas regiões de Kagera e Kigoma, favorecidos por mudas subsidiadas e preços firmes ao produtor.
O setor cafeeiro é o principal segmento agrícola comercial da Tanzânia e envolve mais de 40% dos agricultores do país. Pequenos produtores respondem por cerca de 90% da produção nacional, enquanto grandes propriedades representam menos de 10% da oferta. O robusta é cultivado principalmente na região de Kagera, próxima ao Lago Vitória, enquanto o arábica está concentrado nas áreas montanhosas do norte e sul do país.
As exportações de café verde da Tanzânia estão projetadas em 1,41 milhão de sacas em 2026/27, avanço de 2,9% sobre as 1,37 milhão do ciclo anterior. União Europeia e Japão seguem como os principais destinos, mas os Estados Unidos ganham espaço rapidamente como mercado para cafés especiais. O USDA destaca que a combinação de melhora climática, expansão da produção e maior demanda global sustenta o avanço dos embarques.
O consumo doméstico deverá subir de 85 mil para 90 mil sacas em 2026/27, impulsionado pela expansão da cultura do café em centros urbanos como Dar es Salaam e Arusha. Segundo o relatório, o crescimento da renda, da urbanização e do turismo vem estimulando cafeterias, quiosques e negócios ligados ao consumo local de café.