O vice-presidente da Sociedade Rural Brasileira (SRB)Marcelo Junqueira, defendeu o agronegócio brasileiro nesta segunda-feira (6), em Washington, durante audiência pública promovida pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), que discute a proposta de aplicação de tarifas de 25% sobre produtos brasileiros no âmbito da Seção 301 da legislação comercial norte-americana.

Considerada pelo setor privado brasileiro a principal oportunidade para tentar reverter ou reduzir a medida antes da decisão final, prevista para 15 de julho, a audiência reuniu representantes de diferentes segmentos afetados pela proposta tarifária.

Em sua manifestação, Junqueira contestou as conclusões do relatório do USTR, que aponta supostas falhas na fiscalização ambiental brasileira e associa o agronegócio nacional ao desmatamento ilegal. Segundo ele, a avaliação apresenta uma “caracterização fundamentalmente equivocada” da legislação ambiental do país.

“O relatório acusa o Brasil de tolerar o desmatamento ilegal como uma prática sistêmica. Os dados mostram exatamente o contrário”, afirmou.

Para sustentar o argumento, o dirigente citou estudos da Embrapa e da NASA que apontam que apenas 7,6% do território brasileiro é utilizado para a produção agropecuária, enquanto mais de 66% da vegetação nativa permanece preservada. Também destacou que o Código Florestal Brasileiro está entre os mais rigorosos do mundo, ao exigir reservas legais de até 80% na Amazônia, além de áreas de preservação permanente e o cadastramento georreferenciado de imóveis rurais.

Junqueira também rebateu a alegação de que o Brasil não cruza informações de registros fundiários com dados de monitoramento por satélite. Segundo ele, o país opera sistemas como o PRODES e o DETER, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), que monitoram integralmente a Amazônia Legal e emitem alertas diários de desmatamento.

De acordo com o representante da SRB, os dados oficiais mostram queda de 11,08% no desmatamento da Amazônia entre agosto de 2024 e julho de 2025, além de redução de 11,49% no Cerrado, evidenciando avanços na fiscalização ambiental.

Ao tratar dos impactos econômicos da medida, Junqueira ressaltou que a relação comercial entre Brasil e Estados Unidos é complementar e que a imposição de tarifas afetaria ambos os países. “Nossos países não competem entre si, eles se complementam em suas cadeias produtivas. Uma tarifa que enfraqueça a agricultura brasileira também prejudicará fornecedores americanos de insumosfabricantes de máquinas e consumidores dos Estados Unidos“, afirmou.

Na conclusão de sua apresentação, o vice-presidente da SRB defendeu que a proposta tarifária não encontra respaldo nos fatos apresentados. “As evidências são claras. A legislação é clara. E a medida proposta, definitivamente, não é a solução”, concluiu.