Sou mais ministro do meio ambiente do que da agricultura no exterior

Para mostrar ao mundo como o agronegócio brasileiro vem crescendo de modo sustentável, no exterior, sou muito mais ministro do meio ambiente do que da agricultura. A afirmação foi feita pelo ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), Blairo Maggi, nesta segunda-feira (06), durante a reunião comemorativa de dez anos do Conselho Superior do Agronegócio (Cosag), órgão da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), na capital paulista.

Demais países precisam conhecer a sustentabilidade do agronegócio brasileiro, diz Maggi (Foto: Helcio Nagamine/Fiesp)

Para uma plateia de produtores, dirigentes, empresários, executivos, entre outros agentes ligados ao setor, Maggi, em sua fala, fez alusão ao recente giro que realizou pela Europa e Estados Unidos, a fim de divulgar a realidade do agronegócio brasileiro.

Segundo o ministro, o processo que o Brasil vem construindo ao longo dos anos de produzir cada vez mais de maneira amigável com o meio ambiente é desconhecido e/ou ignorado no exterior. “Fora do país, sempre procuro defender a legislação ambiental brasileira e seus instrumentos de proteção como as Áreas de Preservação Permanente (APPs) e de Reserva Legal (RL).”

De acordo com Maggi, a comunidade internacional precisa reconhecer, inclusive financeiramente, este esforço brasileiro de produção agropecuária em sintonia com preservação ambiental. Para dar suporte ao seu raciocínio, o ministro elencou uma série de números. “Temos 61% do nosso território preservado, onde somente 8% são utilizados pela agropecuária”, disse, acrescentando, ainda, que “62% do Mato Grosso, por exemplo, é preservado”. Ademais, ressaltou Maggi, 11% da área protegida do País são mantidas pelos produtores rurais.

Na avaliação do ministro, o Brasil precisa chegar a 10% de participação no mercado agrícola mundial – hoje este percentual está em torno de 6,9%. Segundo Maggi, recentes decisões do governo de Donald Trump, voltadas à saída dos Estados Unidos de acordos comerciais ou pautadas por renegociações de parcerias, abrem oportunidades para o Brasil. “É o caso do México, que vinha se recusando a dialogar sobre negócios no setor e agora se dispõe a conversar. Alternativas existem, mas precisamos ser rápidos.”