A indústria brasileira de artefatos de borracha já conhece seus principais desafios e oportunidades. O próximo passo é transformar diagnóstico em ação. A avaliação foi apresentada por Albino Fernando Calantuono, especialista em Competitividade e Tecnologia da Fiesp, durante palestra na Arena do Conhecimento da Expobor 2026 e Pneushow 2026, nesta terça-feira (23).
Segundo Calantuono, o setor enfrenta uma pressão crescente dos produtos importados, que já representam 43% de penetração no mercado nacional. Ao mesmo tempo, a cadeia convive com desafios estruturais, como o elevado Custo Brasil, a ausência de uma política industrial de longo prazo e a concorrência cada vez mais intensa de materiais substitutos, especialmente os plásticos.
O estudo mostra que 18,4% dos produtos de borracha são destinados ao setor automotivo, enquanto a maior parte das empresas da cadeia é formada por pequenos e médios negócios. No cenário internacional, a China lidera praticamente todas as categorias de produtos de borracha comercializadas pelo Brasil e responde por 18,4% das exportações globais do setor. Já o Brasil ocupa apenas a 30ª posição no ranking mundial, com participação de 0,7% das exportações.
“A China está praticamente no quintal do Brasil quando observamos o mercado latino-americano. Ela lidera em escala, competitividade e capacidade produtiva. Mas isso não significa que o Brasil não tenha espaço. Temos condições de ampliar nossa presença internacional e transformar a América Latina em um grande mercado para os produtos brasileiros”, destacou Calantuono.
Segundo o levantamento, diversos itens fabricados no Brasil chegam ao mercado com valores superiores aos dos concorrentes chineses, que disputam espaço não apenas pelo preço, mas também por qualidade, disponibilidade e prazo de entrega. “O Brasil possui uma oportunidade única de reposicionar sua cadeia da borracha com soluções de menor pegada de carbono, maior valor agregado e foco em economia circular. O reaproveitamento de resíduos, a inovação em materiais e a oferta de soluções customizadas podem se tornar diferenciais competitivos importantes”, afirmou Calantuono.
Ele defendeu ainda a criação de instrumentos regulatórios e políticas públicas capazes de fortalecer a competitividade nacional. “A indústria da borracha precisa de uma política tecnológica e industrial consistente para se modernizar e competir em igualdade de condições com o mercado internacional. Programas de conformidade, certificação, rastreabilidade e uma regulamentação adequada podem contribuir para valorizar a produção nacional e combater práticas desleais de concorrência.”
Para saber mais sobre o setor da borracha, acompanhe o Indicador da Borracha GEB-10, referência diária de preços para o mercado brasileiro lançado recentemente pela DATAGRO.