O Reino Unido poderá restringir as importações de proteínas animais do Brasil em função das novas exigências relacionadas ao uso de antimicrobianos na produção animal. Na semana passada, o Ministério da Agricultura britânico encaminhou um ofício às autoridades brasileiras responsáveis pelas plantas sob inspeção federal reforçando que os procedimentos adotados para atender à legislação da União Europeia também passarão a valer para o mercado britânico.

As exigências abrangem a certificação sanitária de carne de aves, carne bovina, carne equina, envoltórios, pescado, mel, ovos e ovoprodutos destinados ao Reino Unido.

A comunicação ocorre após a União Europeia atualizar suas normas sanitárias e determinar a proibição da importação de determinadas proteínas animais produzidas com o uso de antimicrobianos não permitidos pela legislação europeia. As novas regras entram em vigor em 3 de setembro de 2026.

“A partir de 3 de setembro de 2026, inclusive, somente poderão ser certificados para a União Europeia e Reino Unido produtos considerados elegíveis aos requisitos relacionados ao uso de antimicrobianos previstos na legislação europeia. A referida data refere-se à emissão da certificação sanitária internacional na origem, independentemente da data de chegada da consignação ao país de destino”, informa o documento obtido inicialmente pelo Globo Rural.

Com a decisão, parte das exportações brasileiras de proteínas para o Reino Unido poderá ser afetada caso não atenda aos novos critérios sanitários exigidos pelos europeus.

O governo brasileiro trabalha para tentar reverter a medida junto à União Europeia, mas enfrenta desafios. O comitê técnico responsável pela análise do tema está previsto para se reunir apenas em outubro, após a entrada em vigor das restrições.

Diante desse cronograma, autoridades brasileiras buscam viabilizar uma reunião extraordinária do colegiado antes de setembro, na tentativa de apresentar argumentos técnicos e evitar impactos sobre as exportações do setor.