Os produtores de cebola de Santa Catarina estão preocupados com a possível safra recorde. A expectativa de alta produção, aliada com a estagnação do mercado, pode fazer o preço do produto cair, endividando os agricultores que, ao todo, adquiriram R$ 162 milhões em financiamentos para produção de cebola na safra atual que devem ser pagos entre este mês de fevereiro e maio.
Em Santa Catarina, os produtores dependem de financiamentos, em especial crédito de custeio e de investimentos, para a manutenção da área cultivada. De acordo com os dados do Banco Central do Brasil, na safra 2016/17, os produtores contrataram 3.964 operações de crédito, um montante que passa de R$ 162 milhões. C
omo grande parte desses financiamentos é feita por agricultores familiares e muitos deles não conseguirão honrar seus pagamentos entre fevereiro e maio, a intenção da Secretaria da Agricultura é interceder junto ao Governo Federal e aos órgãos financeiros para a prorrogação dos prazos de pagamentos.
As dificuldades dos produtores de cebola em Santa Catarina começaram já na safra 2015/16, quando a colheita não teve a qualidade esperada e a importação de cebolas chegou a 334,7 mil toneladas. Com a colheita prejudicada e o aumento nas importações, muitos agricultores tiveram que prorrogar os financiamentos.
Na safra 2016/17, as condições naturais favoráveis aliadas à tecnologia adotada resultam numa safra com volume recorde em Santa Catarina. O Centro de Socioeconomia e Planejamento Agrícola (Cepa/Epagri) estima que a produção catarinense deva ultrapassar as 580 mil toneladas, gerando grande oferta do produto no mercado nacional no primeiro semestre do ano, o que acarreta uma queda nos preços.