Entidades de produtores rurais do Reino Unido pressionam o governo britânico por medidas para ampliar o controle sobre as importações de carne brasileira.
A preocupação, liderada pela National Farmers Union (NFU), é de que uma eventual redução das compras da União Europeia (UE) provoque o redirecionamento de parte dos embarques brasileiros para o mercado das ilhas britânicas, elevando a oferta e pressionando os produtores locais.
Em 2025, a União Europeia importou 211 mil toneladas de carne de frango brasileira, tornando o Brasil o maior fornecedor do bloco, segundo dados citados pela NFU.
No mesmo ano, as compras europeias de carne bovina brasileira somaram 92 mil toneladas, das quais 24 mil toneladas eram de carne in natura.
Para a entidade, parte desses volumes poderia ser redirecionada para o Reino Unido caso as exportações ao mercado europeu sejam supensas após setembro deste ano, quando passam a valer as novas regras para fornecer proteína animal para o bloco – o Brasil está fora da lista dos países que poderão continuar exportando a partir do dia 3 do próximo mês.
De acordo com o presidente da NFU, Tom Bradshaw, “existe um risco real de que a carne bovina e de frango brasileira originalmente destinada à UE seja desviada para o mercado do Reino Unido, distorcendo o comércio e colocando pressão adicional sobre os produtores domésticos”.
Além de medidas sobre o fluxo comercial, a NFU também defende que o governo britânico mantenha critérios mais rígidos para a entrada de produtos brasileiros de origem animal.
A organização quer que eventuais restrições não sejam retiradas até que o Department for Environment, Food and Rural Affairs (Defra) realize uma auditoria presencial e abrangente dos sistemas brasileiros de produção e rastreabilidade.