A produção de trigo da Austrália está projetada em 29,0 milhões de toneladas na safra 2026/27, queda de 19% em relação ao ciclo anterior, segundo estimativa do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), por meio de seu adido em Camberra.

O volume se aproxima da média dos últimos dez anos, após uma temporada anterior favorecida por condições climáticas mais positivas.

A área colhida deve recuar cerca de 600 mil hectares (-4,8%), impactada principalmente pela seca no sul de Queensland e no norte de New South Wales.

Além disso, o aumento nos preços dos fertilizantes nitrogenados — associado às tensões no Oriente Médio — tem levado produtores a revisar seus programas de plantio de inverno.

Os rendimentos estão projetados em 2,46 toneladas por hectare, abaixo dos 2,90 t/ha registrados na safra anterior, mas ainda 3,3% acima da média histórica.

A expectativa é de normalização após os altos níveis de produtividade observados em 2025/26.

O mercado também monitora a possível formação de um evento de El Niño ao longo de 2026, que tende a trazer condições mais secas para o leste australiano. O fenômeno pode afetar fases críticas do desenvolvimento das lavouras, como o enchimento de grãos.

O consumo de trigo é estimado em 8,6 milhões de toneladas, queda frente aos 9,1 milhões de toneladas da safra anterior. A redução reflete a substituição parcial do trigo pela cevada na ração animal, já que esta cultura exige menor uso de fertilizantes nitrogenados.

As exportações australianas estão projetadas em 23,5 milhões de toneladas, retração de 2,5 milhões de toneladas em relação à temporada 2025/26, acompanhando a menor produção.

A Indonésia segue como principal destino, respondendo por cerca de 20% das exportações. As Filipinas ganham relevância, enquanto a China perde espaço e passa a figurar como mercado secundário, ao lado de Tailândia, Vietnã, Coreia do Sul e Japão.