A produção de oleaginosas da Índia deve alcançar cerca de 41 milhões de toneladas na safra 2026/27, segundo relatório anual do adido do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) em Nova Délhi. O avanço reflete condições climáticas favoráveis e expansão de área, mas ainda não será suficiente para reduzir a forte dependência externa do país no mercado de óleos vegetais.

De acordo com o documento, a produção doméstica de óleos vegetais deve atingir aproximadamente 11,5 milhões de toneladas em 2026/27, crescimento moderado frente ao ciclo anterior, sustentado principalmente pelo aumento na oferta de soja, colza (rapeseed/mustard) e amendoim.

Mesmo com a expansão produtiva, o consumo de óleos vegetais na Índia deve atingir cerca de 27 milhões de toneladas em 2026/27, impulsionado pelo crescimento populacional, pela urbanização e pela maior demanda da indústria de alimentos.

Esse descompasso entre produção e consumo mantém o país como o maior importador global de óleos comestíveis.

As importações totais de óleos vegetais estão projetadas em aproximadamente 16 milhões de toneladas em 2026/27, com destaque para o óleo de palma, seguido pelo óleo de soja e óleo de girassol.

No caso específico do óleo de soja, as compras externas devem permanecer elevadas, impulsionadas pela competitividade do produto no mercado internacional e pela crescente demanda da indústria alimentícia e de processamento no país.

O relatório ressalta que, apesar dos esforços do governo para incentivar a produção doméstica, o ritmo de crescimento do consumo continua superando a capacidade produtiva local.

Entre as oleaginosas, a soja segue ganhando relevância, com aumento de área e produtividade, enquanto culturas como colza e amendoim continuam desempenhando papel importante na oferta interna de óleo e farelo.

Ainda assim, desafios estruturais como baixa produtividade média, fragmentação fundiária e dependência de condições climáticas limitam o avanço mais acelerado da produção.

Segundo o USDA, a Índia deve continuar altamente dependente das importações no médio prazo, mesmo com políticas de estímulo à produção local.

O país segue como peça-chave no comércio global de óleos vegetais, com impacto direto na formação de preços internacionais, especialmente nos mercados de óleo de palma e óleo de soja.