A visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao Instituto Mauá de Tecnologia (IMT), nesta segunda-feira (13), em São Caetano do Sul (SP) marcou o início de uma nova etapa para o programa brasileiro de biocombustíveis. Ao acompanhar os testes que avaliarão misturas mais elevadas de biodiesel ao diesel, Lula reforçou o compromisso do Governo Federal com a implementação da Lei Combustível do Futuro e destacou que o Brasil tem condições de liderar a transição energética mundial.
Durante a visita, o presidente afirmou que o Brasil pode mostrar ao mundo que é possível construir um futuro com menor dependência dos combustíveis fósseis e destacou que o início dos testes de 300 horas representa um marco para a evolução do biodiesel no país. A nova etapa avaliará o desempenho dos motores com percentuais mais elevados de biodiesel e fornecerá a base técnica para as próximas decisões sobre a ampliação da mistura obrigatória, dos atuais 15% para 16% a 25%.
A agenda reuniu representantes do governo federal, do setor produtivo e da comunidade científica no laboratório responsável pelos estudos conduzidos no âmbito do Subcomitê de Avaliação da Viabilidade Técnica de Misturas de Altos Teores de Biocombustíveis em Combustíveis Fósseis, criado pelo Ministério de Minas e Energia.
Nas palavras do Presidente Lula
“Vim aqui para ver os testes com porcentagens mais altas de biodiesel. Vamos provar que o que produzimos aqui tem qualidade, segurança e que pode fazer o Brasil depender muito menos condições externas, e liderar o mundo rumo a um novo cenário energético”, disse Lula. “O nosso país tem todas as condições necessárias para ser protagonista na transição energética, e os estudos que estamos realizando aqui vão comprovar isso”, completou.
Para o presidente da APROBIO, Jerônimo Goergen, a visita presidencial consolida o biodiesel como uma das prioridades da agenda energética brasileira: “Nosso compromisso com toda a cadeia produtiva e com os consumidores sempre foi garantir que cada avanço fosse respaldado por critérios técnicos. Essa etapa foi cumprida. Encerramos um ciclo importante e agora iniciamos uma nova fase de consolidação, com os testes de longa duração que darão ainda mais segurança para o avanço da mistura. A presença do presidente Lula também demonstra que o governo reconhece o biodiesel como uma de suas prioridades para fortalecer a segurança energética, impulsionar o desenvolvimento nacional e acelerar a transição para uma economia de baixo carbono.”
Testes reforçam maturidade técnica para avanço do biodiesel, afirma CEO da Binatural
“O Brasil não está discutindo uma solução futura, mas a evolução natural de uma política pública construída ao longo de mais de duas décadas. A indústria nacional demonstra capacidade para atender ao aumento da demanda com escala e qualidade. Os testes reforçam o respaldo técnico necessário para decisões regulatórias e mostram que o país está preparado para avançar, com segurança, na política nacional de biodiesel”, ressalta André Lavor, CEO da Binatural.
Segundo o executivo, a ampliação da mistura obrigatória representa uma oportunidade estratégica para o país, com benefícios que vão além da agenda ambiental. “Cada ponto percentual de aumento da mistura reduz em aproximadamente 800 milhões de litros por ano a necessidade de importação de diesel fóssil. Em um cenário internacional de instabilidade geopolítica, ampliar o biodiesel significa fortalecer a segurança energética brasileira utilizando uma capacidade industrial que o país já possui.”
A expansão do biodiesel ainda fortalece cadeias produtivas nacionais, amplia a agregação de valor ao agronegócio e impulsiona a agricultura familiar por meio do Selo Biocombustível Social, um dos principais instrumentos de inclusão produtiva do setor.
Atualmente o Brasil já opera com B15, com previsão de consumo de 10,5 bilhões de litros de biodiesel, até o final de 2026, e possui capacidade industrial instalada superior à demanda atual que suportaria uma mistura de B20, o que permite ampliar a mistura sem necessidade de grandes investimentos adicionais.