A intensa onda de calor que atinge a Europa Ocidental está provocando perdas significativas na avicultura francesa. Segundo entidades agrícolas do país, centenas de milhares de aves morreram nos últimos dias devido às temperaturas extremas, levando as autoridades a avaliarem a possibilidade de autorizar o enterro de carcaças nas próprias propriedades rurais.
Na terça-feira (23), os termômetros chegaram a 44,3°C na França, e a previsão meteorológica indica a continuidade do calor intenso nos próximos dias.
As maiores perdas estão concentradas nas regiões da Bretanha e Pays de la Loire, responsáveis por quase 60% do plantel avícola francês. As Câmaras de Agricultura dessas regiões emitiram comunicados alertando para mortes em larga escala nas granjas.
O volume de animais mortos tem sobrecarregado os serviços responsáveis pela coleta e destinação de carcaças. Normalmente, os resíduos são encaminhados para unidades especializadas em reciclagem e processamento de subprodutos animais. No entanto, a capacidade operacional do sistema foi excedida diante do aumento repentino das mortes.
Como medida emergencial, as entidades do setor orientaram os produtores a utilizarem serragem ou aparas de madeira sobre as carcaças para absorver líquidos e reduzir riscos sanitários enquanto aguardam a remoção. O enterro nas propriedades também está sendo considerado, mas dependerá de avaliações técnicas e ambientais prévias.
A crise ocorre em meio a uma onda de calor recorde que afeta diversos países da Europa Ocidental. Além das perdas na pecuária, as altas temperaturas já provocaram mortes, interrupções no fornecimento de energia, fechamento de escolas e impactos sobre atividades agrícolas em várias regiões do continente.
A França é o terceiro maior produtor de aves da União Europeia, atrás apenas da Polônia e da Espanha. Segundo dados do órgão agrícola FranceAgriMer, um aviário típico no país abriga cerca de 20 mil aves, enquanto a maioria das granjas opera com dois galpões de produção.