Ganhos de performance industrial na moagem de milho, aprimoramento de processos, diversificação de produtos e melhoramento de controle microbiológico em usinas foram alguns dos principais tópicos discutidos no 5º painel da 3ª Conferência Internacional UNEM DATAGRO sobre Etanol de Milho, realizada nesta quinta-feira (16), em Cuiabá (MT).
Com o tema de “Tecnologias da produção do etanol do milho”, o painel foi moderado pela diretora de relações internacionais da União Nacional do Etanol de Milho (UNEM), Andréa Veríssimo.
O palco foi composto por Amanda de Souza Biscegli, líder regional de desenvolvimento de aplicações para processamento de grãos da IFF; Diogo Torres, gerente de marketing de biocombustíveis da Lallemand Biofuels & Distilled Spirits para a América do Sul; Gustavo Guedes, diretor de vendas para a América Latina da Phibro Animal Health; e Rafael Piacenza, gerente de marketing para bioenergia da Novonesis na América Latina.
Dando início às discussões, Gustavo Guedes discorreu sobre a necessidade de inovar em tempos de volatilidade econômica e política. “Esses momentos da história são cenários ideias para buscar inovar no seu segmento”, pontuou o diretor de vendas da Phibro.
A companhia norte-americana é responsável por desenvolver produtos voltados à saúde animal e ao controle microbiológico na produção de biocombustíveis. Guedes explica que alguns dos seus principais produtos são insumos para ganhos de produtividade em evaporadores de usinas de etanol de milho.
Para o diretor, inovação é “proporcionar aos seus clientes mais tempo para tomar decisões estratégicas ao invés de ter de lidar com questões técnicas”.
Diogo Torres, por sua vez, trouxe ao debate técnicas de expansão de biorrefinarias através da redução do tempo de fermentação. Desenvolvido pela Lallemand Biofuels, “os três pilares da fermentação mais rápida” trazem destaque para questões de diluição de custos fixos com moagens menores, ganho de rendimento real através da redução de glicerol e o ganho de robustez.
O gerente de marketing afirma que a companhia desenvolveu cálculos precisos sobre a matemática por trás da expansão de uma usina, através do aprimoramento da gestão do tempo na etapa de moagem do milho para fabricação do etanol.
Amanda de Souza Biscegli, líder regional de desenvolvimento de aplicações para processamento de grãos da IFF, foi mais à fundo na discussão sobre o ganho de rentabilidade para o setor de etanol de milho, principalmente através da diversificação da sua produção.
“Os coprodutos são essenciais para impulsionar a margem de rentabilidade”, afirma Amanda. Com base em dados do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), Biscegli defende que uma boa margem não é baseada em um monoproduto. A líder explica que o potencial de crescimento e rendimento do etanol de milho é transformado quando se dá maior destaque ao óleo de milho, que possui um rendimento máximo teórico maior que o etanol em si.
A palestrante também pontuou a importância de usinas investirem em biotecnologia na produção de enzimas e outros processos químicos para viabilização da comercialização em larga escala do óleo de milho. Para Biscegli, “o óleo extraído não é uma receita perdida”.
Por fim, Rafael Piacenza, gerente de marketing para bioenergia da Novonesis na América Latina, trouxe um novo olhar sobre o tópico do etanol à base de sorgo. Todavia, não com um viés de concorrência, e sim de cooperação com o etanol de milho.
Pianceza relembra que 2017 foi um ano chave para a produção do etanol de milho no Brasil, com a criação de usinas de alta produtividade. Agora, para o gerente, o país vive um momento de diversificação de culturas na produção do etanol.
“Diferentemente do milho, o sorgo possui menos gordura, menos amido e uma média maior de proteínas e as qualidades dos dois podem ser usadas em novos mix de biocombustíveis”, afirma.
O representante da Novonesis acredita que existem dois caminhos para inovar no segmento através do cultivo e moagem do sorgo: dar prioridade ao sorgo em algumas usinas com suas próprias campanhas de bateladas ou fazer um mix com o etanol de milho, de até 20%, para que não se perca a gordura do óleo de milho no processo.
O etanol de sorgo pode ser uma ótima forma de expandir ainda mais a matriz de energia renovável brasileira. “Onde o milho não é tão atrativo, pode ser o local de cultivo do sorgo, assim como o milho fez isso pela cana-de-açúcar no passado, onde não era atrativo plantar a cultura”, comenta o gerente.