A engenheira agrônoma Lourdes Chavarria Pérez, doutoranda no programa de Pós-graduação em Genética e Melhoramento de Plantas da Esalq/USP, conduziu uma série de estudos dedicados a gerar uma variedade comercial de maracujá-doce. O Brasil é o maior produtor mundial de maracujá e as espécies mais cultivadas são o maracujá-amarelo, que ocupa a maioria dos pomares comerciais, e o maracujá-doce, que tem alcançado o triplo do valor do maracujá-amarelo nos mercados.

Realizada no Laboratório de Genética Molecular de Plantas Cultivadas sob orientação da professora Maria Lucia Carneiro Vieira, do Departamento de Genética da universidade, a pesquisa no campo contou com 100 genótipos de uma família de plantas irmãs da espécie. “Após a avaliação desses 100 indivíduos, durante dois anos e em dois locais, selecionamos 30”, diz Lourdes. Por sua vez, na bancada, a pesquisadora conta que analisou as seguintes características do fruto: peso e diâmetro, comprimento e espessura da casca, teor de sólidos solúveis e porcentagem de polpa.
Lourdes pontua que inicialmente o estudo foi conduzido na área experimental do Departamento de Genética em Anhumas (SP), no período de janeiro de 2013 a abril de 2014, em um sistema de espaldeiras verticais. “O clima frio e seco daquele local exigiu que a pesquisa se prolongasse e, então, decidi pelo doutorado direto, quando avaliamos novamente os 30 genótipos, em 2015, em uma área no campus da Esalq em Piracicaba”.
A pesquisadora destaca que as adversidades climáticas das duas localidades contribuíram para a obtenção de informações mais confiáveis. “O clima e o solo de Anhumas e de Piracicaba são diferentes e os genótipos que se destacaram em ambos os locais nos permitiram afirmar com mais segurança quais se adaptam bem no sudeste do Estado de São Paulo.”
Lourdes relata que a etapa seguinte apontou para uma análise dos dados apoiada pelo Laboratório de Genética e Estatística da universidade. “Assim chegamos a cinco genótipos promissores que apresentaram comportamento de campo, qualidade de fruto, produtividade e capacidade de adaptação muito positivas”, explica. “Há potencial para chegarmos a uma variedade, há interesse dos produtores”, acentua.