Durante a abertura do evento Feira Brasil na Mesa, promovido pela Embrapa em celebração ao seu 53º aniversário, nesta quinta-feira (23), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva destacou a importância da pesquisa agropecuária para agregar valor aos produtos agrícolas nacionais, especialmente considerando a abertura de novos mercados com a União Europeia e o Mercosul. Segundo o presidente, os recentes acordos firmados vão envolver 750 milhões de pessoas e 22 trilhões de dólares e é fundamental que o País esteja preparado para atender a esses públicos com qualidade.

“A Embrapa tem um papel fundamental nesse sentido. Se nas últimas cinco décadas, a ciência praticada pela Empresa foi determinante para transformar a posição do Brasil no cenário mundial, de importador de alimentos para um grande exportador global, o caminho agora é investir em pesquisas de ponta para qualificar os ativos agrícolas. Nós temos mão-de-obra, tecnologia e expertise”, ressaltou, diz nota da “Agência Brasil”.

Segundo Lula, nenhum outro país tem capacidade agrícola de oferecer ao mundo o que ele precisa. “Nós já temos 540 produtos na bandeja para negociar com os europeus, a partir do dia 1º de maio. É uma política de complementariedade, na qual todos ganham. Os produtos deles são diferentes dos nossos, o que significa que vamos comprar deles e eles de nós. E quanto mais sofisticados forem os nossos produtos, mais qualificada e bem-remunerada será a mão de obra dos nossos produtores”, enfatizou.

A realização da Feira Brasil na Mesa, que se estende até o dia 25 de abril, na Embrapa Cerrados, em Planaltina, DF, foi uma ideia do presidente para comemorar 53 anos de uma agricultura bem-sucedida no Brasil. É uma forma de mostrar à população a ampla diversidade genética que o País possui. “Me preocupa o quão pouco conhecemos sobre a nossa própria biodiversidade e o quanto isso pode impactar na melhoria da nossa segurança alimentar. Exportar é muito bom porque gera renda, mas o Brasil precisa conhecer melhor a sua própria identidade”, observou.

Lula defende também a importância de valorização do mercado interno. De acordo com ele, cada estado tem as suas peculiaridades alimentares e, muitas vezes, um não sabe o que o outro produz. “O que eu quero é diversificar porque isso gera renda, emprego, oportunidade e aumento na escala de produção nacional”, disse.

A presidente da Embrapa, Silvia Massruhá, acrescentou que a Feira Brasil na Mesa, é um espaço pensado e montado para mostrar ao público a diversidade alimentar e a importância da ciência por trás dessa pluralidade. “Aqui temos mais de 150 produtos alimentares, sendo 50 deles nativos do Brasil. Toda essa riqueza é fruto de muito esforço da Embrapa e parceiros, apoiado em políticas públicas e investimentos em ciência, tecnologia e inovação”, afirmou.

:: Expansão da cooperação internacional

Massruhá destacou ainda a expansão da cooperação da Embrapa no contexto internacional, que é um dos compromissos do atual governo. “Já mantínhamos escritórios da Embrapa na Europa e nos Estados Unidos, agora já contamos com um na África e estamos trabalhando na consolidação de outros na Ásia e América Central.

Lula reforçou que a transferência de tecnologias da Embrapa para o continente africano é uma das prioridades do seu governo. Segundo o presidente, é crucial também investir em educação. “O mundo tem uma dívida de 350 anos com os esses países africanos e uma das formas de reduzi-la é com a transferência de conhecimento”, disse. Diante disso, ele propôs ao ministro da Educação, Leonardo Barchini, que também esteve presente ao evento, ampliar os convênios entre as universidades brasileiras e africanas.

:: Agricultura que dá gosto

A ministra do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA), Fernanda Machiaveli, ressaltou que a parceria entre a Embrapa e o Ministério tem resultado em benefícios expressivos para a agricultura familiar. “Somente o Programa Mais Alimentos impactou em um ganho de mais de R$ 6 bilhões em frutas para esse setor. Além dos ganhos financeiros, esses números apontam para uma alimentação mais saudável, nutritiva e diversa”, afirmou a ministra.

Já o ministro da Agricultura e Pecuária (Mapa),, André de Paula, destacou os expressivos números alcançados pelo agro brasileiro em nível global. “De cada oito pratos no mundo, em pelo menos, um há participação do País”, comemorou.

O vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, salientou a importância da Embrapa nesse contexto. ”Hoje, 47% das propriedades rurais brasileiras estão tenrificadas. Esse é um resultado direto da ciência de excelência praticada no País”, complementou.