A JBS irá interromper a produção de cortes bovinos destinados ao mercado chinês em 18 de suas 34 plantas habilitadas para exportar à China a partir deste sábado (20), segundo informações divulgadas pelo Globo Rural nesta sexta-feira (19).
De acordo com Renato Costa, CEO da Friboi, a medida tem caráter preventivo e visa evitar que novas cargas cheguem aos portos chineses após o esgotamento da cota anual de importação, situação que implicaria a incidência de tarifas significativamente mais elevadas.
Após a data, a companhia deverá concentrar seus esforços na logística e no embarque das cargas já produzidas, buscando garantir que os volumes cheguem ao destino ainda dentro da cota vigente.
A preocupação do setor aumentou após o governo chinês informar, na quinta-feira (18), que a Austrália atingiu integralmente sua cota anual de 205 mil toneladas de carne bovina. Com isso, os embarques australianos que chegarem aos portos chineses a partir de sábado passarão a ser tributados adicionalmente em 55%.
No caso brasileiro, a cota de importação para 2026 é de 1,1 milhão de toneladas. Segundo dados oficiais da China, mais de 50% desse volume já havia sido utilizado até 9 de maio.
Além disso, o elevado volume de carne em trânsito reforça a cautela do mercado. Apenas em maio, o Brasil exportou quase 154 mil toneladas de carne bovina para o país asiático, o que aumenta a incerteza sobre o espaço ainda disponível dentro da cota.
“Nós estamos organizados para, a partir do dia 20, só concentrar embarques, não produção. Então, a partir do dia 20, concentra os embarques, define os portos e organiza a logística, porque se chegar fora da cota, tem uma sobretaxa muito alta”, afirmou Costa durante o Fórum Internacional da Agropecuária (Fiap), realizado em Campo Grande (MS).
Segundo o executivo, a tarifa atual de importação para a carne bovina brasileira é de 12% dentro da cota. Caso o limite seja ultrapassado, incide uma sobretaxa adicional de 55%, elevando a carga tributária total para 67%. “Aí realmente inviabiliza”, acrescentou.