A comercialização de pneus novos importados no Brasil totalizou 27,2 milhões de unidades no primeiro semestre deste ano, um salto de 81,2% na comparação com o mesmo período de 2025, mostram dados da Associação Nacional da Indústria de Pneumáticos (Anip), divulgados nesta quinta-feira (30).

As vendas de fabricantes nacionais, por sua vez, retraíram 6,8% nos primeiros seis meses do ano, para 17,86 milhões de unidades.

Sendo assim, os importados tiveram uma participação de 60% no mercado interno no período, contra 40% dos produtos nacionais, o menor nível desde pelo menos 2019. Para efeito comparativo, no primeiro semestre de 2025, os importados registraram uma participação de 44%, ante 56% dos nacionais.

Os dados incluem ​pneus para automóveis, veículos ⁠comerciais leves ​e de carga dos segmentos de reposição e de ⁠montadoras, informou a Anip, ressaltando que os números não constam pneus de motocicletas.

“Há um claro desequilíbrio no mercado brasileiro de pneus. O mundo está intensificando as barreiras tarifárias contra pneus da Ásia para proteger suas indústrias, enquanto o Brasil segue vulnerável”, afirmou o presidente da Anip, Rodrigo Navarro, em comunicado à imprensa.

No começo de junho, a União Europeia determinou a aplicação de tarifas antidumping definitivas de até 45% sobre pneus chineses.

A Anip vem solicitando, junto ao governo federal, a adoção de novas medidas de defesa comercial contra ​produtos importados, como o aumento da tarifa de importação de pneus de passeio ‌de 25% para 35%. A associação é formada atualmente por 11 fabricantes – Bridgestone, Continental, Dunlop, Goodyear, Maggion, Michelin, Pirelli, Prometeon, Rinaldi, Titan e Tortuga – que possuem 19 fábricas espalhadas por sete estados.

Ainda de acordo com a entidade, o segmento que sofreu maior retração nas vendas no primeiro semestre foi o mercado de reposição – principal foco de atuação dos importados –, com queda de 10,1%.

Com esse resultado, a indústria brasileira encerrou o semestre com 29% de participação no mercado de reposição, ante 71% dos produtos importados. No primeiro semestre de 2021, ⁠os fabricantes nacionais detinham aproximadamente 64% desse mercado, enquanto os importados respondiam por ​36%.