As importações brasileiras de leite, creme de leite e derivados somaram 18,6 mil toneladas em junho, alta de 26,5% em relação ao mesmo mês de 2025, segundo o novo Relatório VIP da DATAGRO Pecuária.
De acordo com a consultoria, o avanço foi sustentado pela maior competitividade dos produtos originários do Mercosul. O movimento reflete a elevada disponibilidade de matéria-prima nos países vizinhos, a valorização dos preços domésticos durante a entressafra brasileira e a apreciação do real frente ao dólar, que tornou as compras externas mais atrativas para a indústria nacional.
“Esse desempenho reflete, principalmente, a maior competitividade dos produtos provenientes do Mercosul, favorecida pela combinação entre a elevada disponibilidade de matéria-prima nos países vizinhos e a valorização dos preços domésticos durante a entressafra da produção brasileira, além do real apreciado frente ao dólar”, explicou a DATAGRO.
A forte expansão da produção de leite na Argentina e no Uruguai, com volumes próximos ou equivalentes aos recordes históricos para o período, também vem ampliando a oferta exportável dos dois países e favorecendo os embarques destinados ao mercado brasileiro.
Em equivalente leite, considerando também manteiga e queijos, as importações líquidas mantêm trajetória de crescimento desde meados de 2025. Na parcial de julho, o déficit da balança comercial já corresponde a 7,27 milhões de litros de leite por dia, conforme dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex).
O volume líquido importado avançou 49,3% em relação a julho de 2025, mostrando que a competitividade dos fornecedores do Mercosul continua estimulando a entrada de lácteos no país, apesar da recuperação gradual da produção nacional.
Em valor, a balança comercial brasileira de produtos lácteos registrou déficit de aproximadamente US$ 86,6 milhões em junho. O resultado mostra que o crescimento das importações continua superando com ampla margem o desempenho das exportações, mantendo o saldo negativo em níveis elevados.
Segundo a DATAGRO, os dados parciais da segunda semana de julho reforçam a continuidade desse cenário, com crescimento das compras externas em volume e receita, além de elevação do preço médio por tonelada importada.
“A pressão sobre a balança comercial do setor deverá persistir no curto prazo, especialmente enquanto a oferta exportável dos principais fornecedores do Mercosul permanecer elevada e a indústria brasileira continuar recorrendo ao mercado externo para complementar o abastecimento”, concluiu a consultoria.
Para maiores informações, acesse o Relatório VIP na área de análises do Portal DATAGRO.