A produção brasileira de borracha natural, estimada em 240 mil toneladas anuais, abastece cerca de metade da demanda doméstica, com o estado de São Paulo liderando a atividade, respondendo por mais de 60% da safra, seguido por Minas Gerais e Bahia. No estado paulista, aliás, o plantio da seringueira vem ganhando novo arranjo por meio da integração com outras culturas, como, por exemplo, o cacau.
Entretanto, mesmo com matéria-prima aquém do montante necessário para beneficiamento, o segmento atravessa há anos uma crise de rentabilidade decorrente do aumento das importações dos mais diversos produtos que têm o látex como principal insumo.
O maior desafio comercial é o ingresso de pneus prontos, em especial da China. Esse fluxo de produtos asiáticos a preços muito baixos reduz o consumo industrial de matéria-prima local pelas fabricantes de pneumáticos instaladas no Brasil, pressionando as cotações internas e ameaçando a sustentabilidade econômica dos produtores rurais.
Nos últimos seis anos, a importação de artefatos de borracha subiu 41%, com a cadeia produtiva registrando déficit de US$ 1,46 bilhão, indicam dados apresentados, na última quinta-feira (28), por Reynaldo Lopes Megna, presidente executivo da Associação Brasileira da Indústria de Artefatos de Borracha (Abiarb) e do Sindicato das Indústrias de Artefatos de Borracha e da Reforma de Pneus no Estado de São Paulo (Sindibor), bem como diretor executivo da Associação das Empresas Reformadoras de Pneus do Estado de São Paulo (Aresp).
Nesta agenda, balanço da Associação Nacional da Indústria de Pneus (Anip) aponta que a participação de importados no mercado de pneus de passeio e carga para reposição passou de 31% em março de 2019 para 69% em março de 2026.
“Neste caso dos pneus, a maciça importação chinesa acarreta em desafios econômicos e passivos ambientais. O pneu da China que está vindo para o Brasil apresenta baixa qualidade, exatamente por esta questão não é viável para ser reformado, e gera ainda todo um problema ambiental relativo ao descarte rápido”, disse o dirigente. De acordo com Megna, a reforma de pneus surge como alternativa econômica e sustentável, porque permite ampliar a vida útil das carcaças, reduzir custos operacionais e minimizar paradas de manutenção, além de contribuir para práticas de economia circular.
Estatísticas da Abiarb, Sindibor e Aresp revelam, ainda, que em se tratando de artefatos de borracha, a China também ampliou exportações para o Brasil de correias, mangueiras, luvas, itens semiacabados, entre outros. Na oportunidade, o dirigente salientou que, em parceria com a Anip, as entidades das quais participa vêm se mobilizando institucionalmente em defesa do setor produtivo nacional, e que o tema será abordado na Expobor e Pneushow, na capital paulista no final do mês.
Para saber mais sobre o setor da borracha, acompanhe o Indicador da Borracha GEB-10, referência diária de preços para o mercado brasileiro lançado recentemente pela DATAGRO.