O Ibovespa encerrou esta quinta-feira (23) em leve baixa de 0,46%, aos 176.723,62 pontos, porém com ganho acumulado de 1,73% na parcial da semana. Durante o pregão, o principal indicador da Bolsa Brasileira (B3) alcançou uma máxima de 177.895,77 pontos; já na mínima, o índice recuou aos 176.293,25 pontos.
Entre as empresas de maior peso na composição da B3, a Vale (VALE3) e as ações da Petrobras (PETR3; PETR4) fecharam em campo positivo, com altas de 0,77%, 1,67% e 0,87%, nesta ordem.
Os grandes bancos terminaram o dia em campo negativo: o Santander (SANB11) cedeu 1,19%; o BTG Pactual (BPAC11) recuou 1,26%; o Itaú (ITUB4) caiu 0,79%; e o Bradesco (BBDC4) se desvalorizou 1,32%; e o Banco do Brasil (BBAS3) anotou queda de 0,76%.
Em Wall Street, os principais indicadores acionários fecharam com perdas. O Dow Jones Industrial Average (DJIA) fechou com baixa moderada de 0,97%, aos 51.711,65 pontos; o S&P 500 caiu 1,21%, aos 7.408,30 pontos; o Nasdaq desvalorizou 2,15%, aos 25.137,69 pontos.
Ainda no mercado corporativo dos Estados Unidos, os investidores seguiram atentos aos balanços trimestrais das companhias, referentes ao segundo trimestre de 2026. Hoje, a Tesla (TSLA) divulgou seus resultados – que vieram abaixo das projeções do mercado – e despencou 14,5% na Nasdaq.
Neste pregão, o movimento refletiu o aumento da aversão ao risco nos mercados internacionais diante da escalada do conflito no Oriente Médio. A disparada dos preços do petróleo levou investidores a reavaliarem os impactos econômicos do cenário geopolítico, reduzindo o apetite por ativos de mercados emergentes, como o real.
O petróleo Brent ultrapassou a marca de US$ 100 por barril, enquanto o WTI atingiu US$ 92 por barril, em meio ao agravamento das tensões entre Estados Unidos e Irã.
O cenário se deteriorou mesmo após relatos de que Omã estaria mediando negociações envolvendo a Arábia Saudita, representantes iemenitas e um enviado especial da Organização das Nações Unidas (ONU).
A pressão sobre o mercado aumentou após os houthis, do Iêmen, anunciarem um bloqueio naval a carregamentos provenientes da Arábia Saudita e realizarem ataques contra navios petroleiros no Estreito de Bab el-Mandeb, importante corredor para o comércio internacional de petróleo.
Ao mesmo tempo, a Guarda Revolucionária do Irã afirmou que o Estreito de Ormuz permanece sob controle iraniano e que nenhum petroleiro poderá transitar pela região sem coordenação com Teerã enquanto persistirem as operações militares dos Estados Unidos. Analistas estimam que os estreitos de Ormuz e Bab el-Mandeb concentram cerca de 25% do fluxo mundial de petróleo.
Em resposta, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, prometeu impor uma “punição militar severa” ao Irã e aos houthis.
No campo econômico, o mercado repercutiu os dados do Departamento do Trabalho dos Estados Unidos (DOL), que mostraram 187 mil pedidos iniciais de auxílio-desemprego na semana encerrada em 18 de julho. O resultado ficou abaixo da expectativa do mercado, de 211 mil solicitações, indicando que o mercado de trabalho norte-americano segue resiliente.
Também permaneceu no radar a política comercial dos Estados Unidos. Após a entrada em vigor, na quarta-feira (22), da tarifa adicional de 25% sobre parte das exportações brasileiras, investidores aguardam o anúncio de uma nova rodada de tarifas, que poderá variar entre 10% e 12,5% para cerca de 60 parceiros comerciais, incluindo o Brasil.
Segundo a secretária de Imprensa da Casa Branca, Karoline Leavitt, o representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), Jamieson Greer, deverá anunciar ainda nesta quinta-feira os próximos passos da política tarifária da administração Trump.