O presidente da Libéria, Joseph Boakai, decretou, no final de junho, a proibição, por tempo indeterminado, das exportações de borracha natural não processada como parte da estratégia do governo para fortalecer a industrialização do país e ampliar a agregação de valor à principal commodity agrícola liberiana.
A medida, estabelecida pela Ordem Executiva nº 166 e em vigor desde 1º de julho de 2026, impede os embarques de látex natural, coágulos, grumos, resíduos e outras formas de borracha bruta, mantendo autorizadas apenas as exportações de produtos processados, como látex concentrado, borracha tecnicamente especificada (TSR), folhas defumadas (RSS) e borracha crepe.
Segundo Boakai, a decisão integra a Agenda para o Desenvolvimento Inclusivo e busca estimular a instalação de indústrias locais, gerar empregos, elevar a arrecadação de impostos e ampliar as receitas em moeda estrangeira. O Executivo argumenta que a exportação contínua de borracha in natura impediu, ao longo dos anos, o desenvolvimento da cadeia industrial doméstica.
A ordem também endurece a fiscalização, prevendo apreensão de cargas irregulares, multas de até US$ 100 mil para empresas e US$ 50 mil para pequenos produtores, além da cassação definitiva das licenças de exportação para reincidentes e possibilidade de responsabilização criminal. Paralelamente, o governo promete incentivos fiscais, crédito subsidiado e investimentos em infraestrutura para ampliar a capacidade nacional de processamento.
A iniciativa provocou reações distintas entre representantes do setor: enquanto a Associação de Produtores de Borracha da Libéria (RPAL) manifestou apoio à medida, classificando-a como um passo importante para expandir o processamento doméstico, a União Nacional de Corretores e Agricultores de Borracha da Libéria (NARBFUL) pediu ao governo que revise a ordem executiva.
A entidade argumenta que muitos pequenos produtores dependem da comercialização de borracha não processada e que a restrição pode comprometer sua renda enquanto o país ainda não dispõe de capacidade industrial suficiente para absorver toda a produção.
Atualmente, a indústria de processamento de borracha da Libéria é dominada pela indiana Jeety e pela japonesa Firestone, enquanto empresas da China – maior consumidor global da commodity – ainda possuem presença limitada.
Com a nova política chinesa de tarifa zero, a qual isentou as importações de 53 nações africanas a partir de 1º de maio deste ano, há, contudo, expectativa de novos investimentos por empresas da China, como o projeto da Meilan/Guansheng para instalar uma fábrica com capacidade anual de processar 100 mil toneladas de borracha.