A Associação de Processadores de Borracha do Gana (RUPAG) saiu em defesa da proibição temporária das exportações de borracha natural bruta adotada recentemente pelo governo, argumentando que a medida tem como objetivo fortalecer a industrialização do país, ampliar a agregação de valor à produção nacional e estimular a geração de empregos, sem prejudicar agricultores, comerciantes ou intermediários.
Em comunicado assinado pelo secretário da entidade, Perry Acheampong, a associação afirma que a política está alinhada à estratégia do presidente John Dramani Mahama, baseada na industrialização, no aumento da entrada de divisas e na criação de empregos.
O governo de Gana começou a restringir as exportações de borracha natural bruta em janeiro de 2026. A proibição total entrou em vigor em maio e tem duração prevista de 10 anos.
Segundo a RUPAG, as processadoras locais adquiriram 30.967 toneladas de borracha bruta entre janeiro e junho de 2026. Desse volume, 17.535 toneladas foram compradas diretamente de produtores rurais, enquanto 13.431 toneladas vieram de comerciantes e intermediários.
A entidade destaca que as compras realizadas junto a comerciantes cresceram de forma expressiva após o anúncio da restrição às exportações. O volume passou de 534 toneladas em abril para 2.028 toneladas em maio e alcançou 3.131 toneladas em junho.
No acumulado do primeiro semestre, as aquisições desse grupo aumentaram 124% em relação ao mesmo período de 2025, saltando de 5.987 para 13.431 toneladas. Já as compras diretas dos agricultores cresceram aproximadamente 12%, passando de 15.640 para 17.535 toneladas.
Para a associação, esses números demonstram que o mercado doméstico continua absorvendo a produção e contrariam as críticas de que a medida eliminou oportunidades de comercialização. A entidade também rejeitou acusações de que as processadoras locais estariam se recusando a comprar borracha ou promovendo práticas monopolistas.
De acordo com a RUPAG, Gana enfrenta um déficit estrutural de matéria-prima para abastecer sua indústria. Em 2025, o país produziu aproximadamente 110.800 toneladas de borracha natural, enquanto a capacidade instalada de processamento atingia cerca de 171.460 toneladas, resultando em um déficit superior a 60 mil toneladas e em uma utilização das fábricas de apenas cerca de 41%.
Mesmo que toda a produção nacional fosse destinada ao processamento interno, argumenta a RUPAG, as indústrias ainda operariam abaixo de sua capacidade máxima, o que, na avaliação da entidade, enfraquece propostas de criação de cotas para exportação de borracha bruta.
A associação estima que o processamento local da produção poderá gerar US$ 1,36 bilhão em receitas adicionais de divisas entre 2026 e 2031. Em contrapartida, a manutenção das exportações de matéria-prima bruta poderia provocar uma perda de aproximadamente 326 milhões de cedis ganenses (GHC) em arrecadação tributária no mesmo período.
A RUPAG também cita exemplos de outros países produtores, como Costa do Marfim e Libéria, que adotaram restrições às exportações para incentivar o processamento doméstico, enquanto a Nigéria já destina praticamente toda a sua produção ao mercado interno.