O Federal Reserve (Fed) manteve uma postura cautelosa em relação à inflação e sinalizou que novos aumentos da taxa básica de juros seguem no radar, conforme a ata da reunião do Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc), realizada entre 16 e 17 de junho e divulgada nesta quarta-feira (8).

O documento mostra que os dirigentes consideram que as pressões inflacionárias permanecem elevadas, enquanto a economia e o mercado de trabalho continuam resilientes.

Na reunião, o comitê decidiu manter a taxa de juros no intervalo entre 3,50% e 3,75% ao ano, avaliando que a atividade econômica segue em ritmo sólido e que o mercado de trabalho permanece estável, apesar do ambiente de elevada incerteza.

Segundo a ata, a inflação continua acima da meta de 2% do banco central, impulsionada pelos efeitos das tarifas comerciais, pelos custos mais elevados de energia e insumos decorrentes do conflito no Oriente Médio e pelo forte ciclo de investimentos em inteligência artificial (IA). O Fed também destacou que parte das pressões sobre os preços tornou-se mais disseminada entre bens e serviços, aumentando o risco de uma inflação mais persistente.

Os dirigentes observaram que as expectativas de inflação de médio e longo prazo seguem relativamente ancoradas, mas ressaltaram a importância de evitar que um período prolongado de inflação acima da meta altere o comportamento de consumidores e empresas na formação de preços e salários.

Em relação ao mercado de trabalho, os membros avaliaram que o desemprego permanece próximo ao nível considerado de longo prazo e que o ritmo de criação de empregos continua consistente com o crescimento da força de trabalho. Além disso, destacaram que os salários deixaram de representar uma fonte relevante de pressão inflacionária.

Apesar de reconhecerem que a atividade econômica segue sustentada pelo consumo das famílias e pelos investimentos em infraestrutura de inteligência artificial, os dirigentes alertaram que ainda há elevada incerteza em relação aos impactos do conflito no Oriente Médio e à evolução das pressões inflacionárias.

Embora todos os integrantes tenham votado pela manutenção dos juros nesta reunião, a ata mostra que alguns dirigentes defenderam haver argumentos para uma alta já em junho. A maioria dos participantes afirmou que, caso a inflação permaneça elevada e o mercado de trabalho continue aquecido, poderá ser necessário promover um novo aperto monetário nos próximos meses. Por outro lado, parte dos membros considera que, se as pressões sobre os preços diminuírem conforme o esperado, haverá espaço para manter ou reduzir os juros futuramente.

A ata também revelou que o Fed pretende revisar sua estratégia de comunicação. Os dirigentes apoiaram simplificar o comunicado divulgado após as reuniões e retirar a linguagem que sugeria um viés de flexibilização monetária, reforçando a mensagem de compromisso com a estabilidade de preços.