Falsa virose da soja alerta produtores do MS

Um fenômeno peculiar deixou produtores de soja em alerta nos últimos meses de 2016 em Mato Grosso do Sul. As baixas temperaturas registradas neste período provocaram o que alguns especialistas chamam de “falsa virose da soja”, principalmente no centro-sul do Estado, em municípios como Maracaju, Rio Brilhante e Amambai.

O fato foi identificado durante estudo realizado por pesquisadores da Fundação MS durante o mês de dezembro e os resultados foram divulgados nesta semana.

O pesquisador de fitossanidade da Fundação MS, José Fernando Grigolli, explica que a preocupação surgiu pelo fato de os sintomas serem muito parecidos com os de uma virose. Assim que os indícios do problema surgiram, produtores, mantenedores da instituição e assistências técnicas conveniadas entraram em contato com a entidade, em busca de uma solução e, também, para que sejam dadas orientações corretas sobre como lidar com os casos.

A partir disso, os pesquisadores começaram a fazer os experimentos. A ideia é simples: algumas plantas de soja foram colocadas dentro de uma geladeira por algumas horas, para que o comportamento delas em relação à temperatura fosse observado. “Inicialmente, surgiram muitas dúvidas se os sintomas observados eram nematoides, mancha de fertilidade do solo ou outra doença, mas, a partir dos estudos, ficou bastante nítido que a causa da aparência diferenciada nas plantas era o frio mesmo”, explica Grigolli.

De acordo com o estudo, temperaturas abaixo de 10 graus podem inviabilizar o cultivo da oleaginosa, e acima de 40 graus podem gerar consequências na floração e redução da capacidade de retenção das vagens. Já quando os termômetros indicam temperaturas abaixo dos 13 graus, há inibição da floração das plantas. As regiões com temperaturas entre 20 e 30 graus são as que mais favorecem a adaptação da cultura.

Para evitar problemas, o pesquisador orienta que o sojicultor continue trabalhando com variedades que sejam conhecidas e recomendadas para cada região.