As exportações de algodão da Austrália devem recuar de forma expressiva na safra 2026/27, refletindo ajustes no fluxo comercial após um ciclo anterior de embarques elevados, segundo relatório anual do adido do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) em Canberra.
De acordo com o documento, os embarques australianos estão projetados em 4,7 milhões de fardos em 2026/27, queda de 23% frente aos 6,1 milhões de fardos estimados para 2025/26, que representam um dos maiores volumes da série histórica do país.
Apesar da retração, o volume exportado ainda deve permanecer cerca de 24% acima da média dos últimos 10 anos, reforçando a relevância da Austrália como o terceiro maior exportador global da commodity, atrás apenas do Brasil e dos Estados Unidos.
Em relação à produção, a Austrália deve atingir 4,9 milhões de fardos em 2026/27, leve alta frente aos 4,65 milhões de fardos estimados para 2025/26, sustentada principalmente pela melhora na disponibilidade de água para irrigação em regiões do norte.
Ainda assim, esse crescimento não é suficiente para compensar o efeito de menor oferta carregada do ciclo anterior, o que limita o volume exportável no período.
Segundo o USDA, a queda nas exportações não está associada a uma contração relevante da produção, mas sim à dinâmica interanual de oferta. Em 2025/26, os embarques foram impulsionados pelo escoamento de uma safra anterior robusta (2024/25), elevando a base de comparação.
Já em 2026/27, a menor produção do ciclo 2025/26 reduz a disponibilidade de pluma para exportação, especialmente nos primeiros meses da temporada comercial.
Essa característica fica evidente na sazonalidade das exportações australianas: conforme indicado no relatório, os embarques entre agosto e abril são majoritariamente abastecidos pelos estoques da safra anterior, enquanto o fluxo entre maio e julho depende da produção corrente.
A China e o Vietnã seguem como os principais destinos do algodão australiano, respondendo juntos por cerca de 50% das exportações. Bangladesh e Indonésia aparecem como mercados secundários relevantes, com participação próxima de 10% cada.
Um destaque recente é o avanço das exportações para a Índia, que passaram de volumes residuais para cerca de 20% dos embarques na primeira metade de 2025/26, impulsionadas por medidas temporárias de estímulo às importações no país asiático.