Os Estados Unidos estudam reduzir temporariamente as tarifas sobre todas as importações de carne bovina, informou o Wall Street Journal (WSJ), citando fontes da Casa Branca familiarizadas com o assunto. De acordo com o jornal, a Casa Branca executaria a medida ainda hoje (11) para segurar os altos preços da proteína no país.
Atualmente, os valores da carne bovina no mercado norte-americano enfrentam elevada inflação devido a uma redução histórica do rebanho bovino, que se encontra no menor nível em 75 anos.
Segundo o WSJ, a medida suspenderia a cota tarifária anual – que permite a importação de carne bovina com tarifa zero ou reduzida até um limite anual de aproximadamente 700 mil toneladas – para todos os países exportadores. Volumes que ultrapassam esse total entram com uma sobretaxa de 26,4%.
Esse sistema fornece cotas específicas para a Austrália, para a Nova Zelândia e para a Argentina e o Uruguai.
O Brasil, no entanto, não possui uma cota exclusiva de exportação de carne bovina para os EUA, dividindo espaço com outros países em uma única cota de 66 mil toneladas livre de taxações, a qual já foi preenchida em janeiro deste ano. Atualmente, o país utiliza cerca de 50 mil toneladas deste montante.
Caso a medida seja executada, o Brasil deve ser o principal país beneficado. Atualmente, os Estados Unidos importam 20% das 29 bilhões de libras de carne bovina consumida internamente.
Segundo os dados do USDA, o Brasil exportou US$ 795 milhões em carne bovina para os EUA no primeiro trimestre de 2026, um aumento de 21% em comparação com o mesmo período do ano anterior. Somente em 2025, foram cerca de US$ 1,75 bilhão em embarques de carne bovina brasileira.
Na semana passada, a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne (ABIEC) já havia solicitado ao presidente Lula que incluísse o tema da expansão da cota de exportação do país nas conversas com o presidente Donald Trump.
Ainda de acordo com o WSJ, além de mexer na cota e nas tarifas, a Casa Branca também planeja orientar a Administração de Pequenas Empresas (SBA) a aumentar os empréstimos e o acesso a capital para pecuaristas norte-americanos e reduzir algumas regulamentações, incluindo as normas do Departamento de Agricultura (USDA) que exigem o uso de brincos eletrônicos no gado.