A Agência de Proteção Ambiental (EPA) dos Estados Unidos finalizou os novos requisitos de volume do Padrão de Combustível Renovável (RFS) para 2026 e 2027, estabelecendo, segundo o governo, os níveis mais altos da história do programa.

A regra, chamada de “Conjunto 2”, foi anunciada durante evento na Casa Branca e tem como objetivo expandir o uso de biocombustíveis produzidos nos EUA, reforçar a independência energética e apoiar as economias rurais.

O administrador da EPA, Lee Zeldin, destacou que a medida fortalece a demanda doméstica por commodities agrícolas.

“No geral, o ‘Conjunto 2’ cria um mercado interno maior, mais estável e mais confiável para as safras americanas, fortalecendo a renda agrícola e as economias rurais”, afirmou.

A nova regra mantém o limite de 15 bilhões de galões para biocombustíveis convencionais — como o etanol de milho — tanto em 2026 quanto em 2027.

Por outro lado, há aumento nas metas para biocombustíveis avançados, o que deve impulsionar a demanda por matérias-primas como o óleo de soja, amplamente utilizado na produção de biodiesel e diesel renovável.

A secretária de Agricultura dos EUA, Brooke Rollins, afirmou que os novos padrões podem gerar ganhos relevantes para o setor.

“Esses números representam os níveis mais altos de biocombustíveis já exigidos para serem misturados ao nosso fornecimento de combustível”, disse.

Segundo ela, a medida pode elevar a renda líquida agrícola entre US$ 3 bilhões e US$ 4 bilhões, além de gerar US$ 31 bilhões em valor para óleo de milho e soja em 2026, cerca de US$ 2 bilhões acima de 2025.

A EPA estima que a regra poderá gerar mais de US$ 10 bilhões para economias rurais e apoiar mais de 100 mil empregos nos setores agrícola e industrial.

Para atender às novas metas, a produção de biodiesel e diesel renovável deve crescer mais de 60% em relação aos níveis de 2025, reforçando a demanda por soja nos Estados Unidos.

A agência também finalizou uma realocação de 70% dos volumes de combustíveis renováveis ​​perdidos devido às isenções para pequenas refinarias (SREs, na sigla em inglês) emitidas entre 2023 e 2025, com o objetivo de restaurar a demanda e, ao mesmo tempo, manter a estabilidade do mercado.

Ademais, a EPA anunciou que, a partir de 2028, os combustíveis e matérias-primas estrangeiros receberão apenas metade do valor de conformidade no âmbito do RFS em comparação com os insumos produzidos nos EUA — um esforço para priorizar a produção nacional.

Por fim, a agência removeu a “eletricidade renovável” do programa RFS, afirmando que a medida alinha a regra mais de perto com a Lei do Ar Limpo e seu foco original em combustíveis líquidos e gasosos.

Autoridades afirmam que os padrões atualizados reduzirão a dependência dos EUA em relação ao petróleo estrangeiro em cerca de 300 mil barris por dia entre 2026 e 2027, ao mesmo tempo que proporcionarão segurança a longo prazo para agricultores, produtores de biocombustíveis e mercados de combustíveis.