O governo dos Estados Unidos sinalizou que poderá reter e redistribuir cerca de 56 mil toneladas de açúcar da cota de importação destinada ao Brasil no ano fiscal de 2026/27, caso o país não apresente “propostas comerciais satisfatórias” a Washington.
A declaração foi feita pelo subsecretário de Agricultura dos EUA, Stephen Vaden, durante um simpósio da American Sugar Alliance, no estado do Colorado. A cota tarifária (TRQ) brasileira tradicional é de aproximadamente 156 mil toneladas.
Para o ano fiscal de 2026/27, que começa em 1º de outubro de 2026, os Estados Unidos estabeleceram uma cota total de cerca de 1,117 milhão de toneladas, distribuída entre 39 países.
Até o momento, 100 mil toneladas foram destinadas ao Brasil, enquanto cerca de 56 mil toneladas permanecem sem alocação, correspondendo a aproximadamente 36% da cota brasileira.
Embora o volume destinado ao mercado americano represente cerca de 0,5% das exportações brasileiras de açúcar, a cota tem importância comercial devido à diferença entre as tarifas aplicadas dentro e fora do limite.
Para o açúcar bruto, a tarifa dentro da cota é de aproximadamente US$ 14,60 por tonelada, ante cerca de US$ 338,60 por tonelada fora dela, antes de eventuais tarifas adicionais.
A possível retenção da parcela ainda não alocada ocorre em meio à pressão dos produtores norte-americanos por medidas mais rígidas contra o açúcar importado.
Segundo Carlann Unger, responsável pelo programa de açúcar do Departamento de Agricultura dos EUA (USDA), os elevados estoques domésticos também aumentam a pressão sobre os preços. O país iniciou o ano fiscal de 2026 com os maiores estoques de açúcar já registrados, segundo a avaliação apresentada no evento.