Na última semana, entidades representativas do agronegócio e da agroindústria brasileira enviaram uma carta ao Governo Federal, solicitando a elevação imediata da mistura obrigatória de biodiesel no diesel para 17% (B17). Na quinta-feira (19), o Conselho Nacional de Política Energética (CNPE), órgão ligado ao Ministério de Minas e Energia (MME), se reunirá para discurtir esse assunto.
Segundo o grupo, o atual cenário internacional de instabilidade geopolítica e volatilidade nas cotações do petróleo reforça a necessidade de o Brasil adotar medidas que fortaleçam sua segurança energética, reduzam a dependência da importação de diesel e tragam maior estabilidade ao mercado de combustíveis. A
ampliação da mistura também contribuiria para impulsionar a transição energética com o uso de fontes renováveis e para fortalecer cadeias produtivas nacionais, gerando emprego, renda e desenvolvimento em diversas regiões do país. Atualmente, a mistura do biodiesel no diesel está em 15%.
As entidades destacam ainda que o momento coincide com o escoamento da safra agrícola, quando o transporte rodoviário é essencial para a competitividade e o abastecimento da economia. Nesse contexto, ampliar a participação do biodiesel ajudaria a aumentar a oferta de combustível e reduzir pressões sobre o mercado.
Leia a carta na íntegra:
“As entidades representativas do agronegócio e da agroindústria brasileira, abaixo assinadas, vêm a público requerer ao Governo Federal a imediata elevação do percentual de mistura obrigatória de biodiesel no diesel para 17% (B17).
O atual cenário internacional atravessa um momento sensível, marcado por instabilidades geopolíticas e severas oscilações nas cotações globais do petróleo, realidade que impacta diretamente a economia brasileira. Diante dessa conjuntura, é imperativo e estratégico fortalecer soluções internas que garantam a nossa segurança energética, a estabilidade de preços e a mitigação dos riscos de desabastecimento.
A ampliação da mistura para B17 representa uma resposta ágil, segura e plenamente alinhada aos interesses nacionais. Trata-se de uma medida eficaz para reduzir a crônica dependência brasileira da importação de diesel, acelerar a transição energética por meio de combustíveis renováveis e fortalecer as cadeias produtivas, vetor de geração de emprego, renda e desenvolvimento em diferentes regiões do Brasil.
Estamos também em um período decisivo para o setor produtivo, com o escoamento da safra, momento em que o transporte rodoviário desempenha papel fundamental para garantir competitividade, abastecimento e dinamismo à economia brasileira. Nesse contexto, toda medida que contribua para ampliar a oferta de combustível e reduzir pressões sobre o mercado é estratégica.
O Brasil possui capacidade instalada na indústria de biodiesel, disponibilidade de matéria-prima e logística estruturada, o que permite atender com segurança e rapidez a uma eventual elevação da mistura. A adoção do B17 contribuirá para diminuir a necessidade de importação de diesel, fortalecer a indústria nacional e dar maior previsibilidade ao setor produtivo.
Sob a ótica técnica e mecânica, o uso do biodiesel brasileiro em patamares superiores é absolutamente seguro e chancelado por rigorosos padrões de qualidade. Diferentemente de alternativas que exigem adaptações custosas de frota ou infraestrutura, o biodiesel possui tecnologia consolidada, podendo ser utilizado, inclusive, em sua forma pura. Não por acaso, diversas empresas já adotam voluntariamente o uso do B100 em suas operações comerciais, atestando a confiabilidade do biocombustível.
Diante do exposto, as entidades signatárias solicitam ao Governo Federal a editar, em caráter de urgência, a normativa para elevação da mistura para o B17. Esta é uma decisão de Estado, essencial para blindar a economia nacional de choques externos, consolidar nossa liderança global na transição energética e reafirmar o compromisso com o crescimento sustentável do Brasil”.
Entidades signatárias:
- Associação Brasileira do Agronegócio (Abag)
- Associação Brasileira dos Criadores de Suínos (Abcs)
- Associação Brasileira dos Criadores de Zebu (Abcz)
- Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne (Abiec)
- Associação Brasileira da Indústria do Fumo (Abifumo)
- Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove)
- Associação Brasileira das Indústrias de Pescados (Abipesca)
- Associação Brasileira das Indústrias de Tecnologia em Nutrição Vegetal (Abisolo)
- Associação Brasileira de Proteína Animal (Abpa)
- Associação Brasileira de Produtores e Beneficiadores de Borracha Natural (Abrabor)
- Associação Brasileira de Frigoríficos (Abrafrigo)
- Associação Brasileira dos Produtos Exportadores de Frutas e Derivados (Abrafrutas)
- Associação Brasileira dos Produtores de Milho (Abramilho)
- Associação Brasileira de Sementes e Mudas (Abrasem)
- Associação Brasileira dos Produtores de Sementes de Soja (Abrass)
- Associação dos Criadores de Mato Grosso (Acrimat)
- Associação Pró-Desenvolvimento Industrial do Estado do Goiás (Adial)
- Associação dos Misturadores de Adubos do Brasil (Ama Brasil)
- Associação Nacional dos Produtores de Alho (Anapa)
- Associação Nacional dos Distribuidores de Insumos Agrícolas e Veterinários (Andav)
- Associação dos Produtores de Sementes de MT (Aprosmat)
- Associação Brasileira dos Produtores De Soja (Aprosoja-BR)
- Associação dos Produtores de Soja de Mato Grosso do Sul (Aprosoja-MS)
- Associação dos Produtores de Soja e Milho do Estado de Mato Grosso (Aprosoja-MT)
- Bioenergia Brasil
- Associação de Produtores de Bioenergia de Mato Grosso do Sul (Biosul)
- Confederação da Agricultura e Pecuária Do Brasil (CNA)
- Croplife Brasil
- Federação da Agricultura do Estado do Paraná (Faep)
- Federação de Agricultura e Pecuária do Estado de São Paulo (Faesp)
- Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso do Sul (Famasul)
- Federação da Agricultura e Pecuária do Mato Grosso (Famato)
- Federação dos Plantadores de Cana do Brasil (Feplana)
- Federação das Indústrias do Estado de Mato Grosso (Fiemt)
- Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp)
- Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB)
- Organização de Associações de Plantadores de Cana do Brasil (Orplana)
- Sindicato Nacional das Empresas de Aviação Agrícola (Sindag)
- Sindicato Nacional da Indústria de Alimentação Animal (Sindirações)
- Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para Defesa Vegetal (Sindiveg)
- Sociedade Rural Brasileira (SRB)
- União Nacional do Etanol de Milho (Unem)
- Associação Brasileira de Laticínios (Viva Lácteos)