O avanço da produção agrícola gera um efeito multiplicador sobre a demanda por transporte e por armazenagem no Brasil, avaliou Thiago Péra, professor da Esalq/USP, nesta quarta-feira (5), no VIII Seminário Desafios da Liderança Brasileira no Mercado Mundial de Soja, realizado na Embrapa Soja, em Londrina (PR).

Para ele, este cenário também escancara problemas estruturais históricas e um modelo baseado no uso de rodovias, modal que responde por 65% das cargas no Brasil. Segundo ele, enquanto o país conta com 216 mil quilômetros de rodovias pavimentadas, possui apenas 30 mil quilômetros de ferrovias — dos quais somente cerca de 10 mil quilômetros estão em operação efetiva —, além de uma precária malha de mais de 2 milhões de quilômetros de estradas vicinais. “A precariedade dessas vias de acesso gera perdas anuais econômicas e ambientais”, disse Péra.

Na sua visão, desenvolvimento dos corredores logísticos do Arco Norte (regiões Norte e Nordeste) aumentou a participação desses portos nas exportações de grãos, saltando de cerca de 10%, em 2010, para mais de 30% nos últimos anos. “A ampliação do Arco Norte criou uma faixa de competição logístico-geográfica no Mato Grosso, por exemplo, na qual o escoamento pelos portos do Norte ficou mais vantajosos para certas regiões produtoras, rivalizando com o fluxo tradicional direcionado ao Porto de Santos”, explicou.

Com relação à infraestrutura ferroviária, apesar do aumento no volume de grãos movimentados por trens entre 2010 e 2024, a capacidade ferroviária não acompanhou o ritmo de expansão da safra nacional. “Em contrapartida, estudos indicam que investimentos em ferrovias podem gerar retornos significativos no PIB, aumentar a arrecadação governamental, diminuir as emissões de carbono do transporte de cargas e melhorar a renda real das famílias de menor renda”, enumerou.