Os estoques globais de petróleo podem atingir níveis críticos antes do pico da demanda de verão no Hemisfério Norte caso o atual ritmo de redução continue. O alerta foi feito nesta terça-feira (2) por Toril Bosoni, chefe da divisão de indústria e mercados de petróleo da Agência Internacional de Energia (EIA), durante a Conferência de Petróleo e Gás do Oriente Médio, promovida pela S&P Global Energy, em Londres.
“Estamos vendo uma redução contínua dos estoques durante o verão, com a possibilidade ou probabilidade de atingirmos níveis críticos ou mínimos históricos pouco antes do pico da demanda de verão”, afirmou Bosoni.
Segundo a executiva, mesmo que um acordo entre Estados Unidos e Irã seja alcançado imediatamente, a normalização do fluxo comercial pelo Estreito de Ormuz poderá levar entre seis e oito meses. A via marítima é uma das mais importantes do mundo para o transporte de petróleo e gás natural liquefeito.
Bosoni destacou que, diante desse cenário, uma nova liberação coordenada de estoques estratégicos poderia voltar a ser considerada. No entanto, a medida não está em discussão neste momento, uma vez que cerca de metade dos 400 milhões de barris liberados emergencialmente desde março ainda não chegou efetivamente ao mercado.
Apesar disso, a representante da agência ressaltou que o uso de reservas estratégicas teria efeito limitado diante da magnitude do problema.
“Em qualquer caso, a liberação emergencial de estoques é apenas uma medida paliativa temporária, não vai resolver este problema. A escala das perdas de oferta é tão grande que a redução teria que vir do lado da demanda”, afirmou.