O dólar comercial encerrou essa quinta-feira (18) em forte alta de 1,31%, cotado a R$ 5,1730, com ganho acumulado na parcial da semana de 2,27%. Na máxima do dia, o câmbio subiu a R$ 5,1880; na mínima, recuou a R$ 5,1260.
Neste pregão, o movimento altista refletiu uma postura mais cautelosa dos investidores após as decisões de política monetária anunciadas na véspera pelo Federal Reserve (Fed) e pelo Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central.
Nos EUA, o Fed manteve a taxa básica de juros na faixa entre 3,50% e 3,75% ao ano. Apesar da manutenção, as projeções divulgadas após a reunião mostraram uma inclinação mais conservadora da autoridade monetária. Segundo o chamado “dot plot”, nove dirigentes da instituição enxergam espaço para novas elevações dos juros ao longo de 2026.
Já no Brasil, o Copom reduziu a taxa Selic em 0,25 ponto percentual, para 14,25% ao ano. No entanto, a comunicação da autoridade monetária foi interpretada pelo mercado como mais cautelosa, reforçando a percepção de que o espaço para novos cortes de juros no curto prazo é limitado.
O cenário contribuiu para fortalecer o dólar globalmente e reduzir o apetite dos investidores por ativos de maior risco. Enquanto a postura mais rígida do Fed impulsionou a moeda norte-americana no exterior, os ruídos em torno da comunicação do Banco Central brasileiro adicionaram pressão sobre o real.
No campo geopolítico, os investidores também acompanharam os desdobramentos do acordo firmado entre EUA e Irã. O tratado, assinado na quarta-feira (17) pelos presidentes Donald Trump e Masoud Pezeshkian, entrou em vigor e prevê compromissos relacionados ao programa nuclear iraniano, suspensão de sanções norte-americanas e mecanismos de compensação financeira ao governo de Teerã.
O governo da Suíça informou que representantes dos Estados Unidos, Irã, Paquistão e Catar se reunirão nesta sexta-feira (19), em Bürgenstock, para iniciar as negociações sobre a implementação do acordo.
Apesar do avanço diplomático, o entendimento ainda é considerado preliminar. Um acordo definitivo dependerá de novas rodadas de negociações sobre o programa nuclear iraniano e deverá ser posteriormente ratificado por meio de uma resolução vinculante do Conselho de Segurança da ONU.
Para amanhã, a expectativa é de menor liquidez e volatilidade nos mercados globais em razão do feriado de Juneteenth nos EUA, que mantém fechadas as bolsas e os mercados financeiros norte-americanos.