Às 9h27 (horário de Brasília) desta quinta-feira (16), o dólar comercial operava em leve alta de 0,22%, cotado a R$ 5,0870, porém com perda acumulada de 0,37% na parcial da semana. Ontem (15), câmbio fechou o dia com tendência negativa (-0,02%), a R$ 5,0760.
O DXY – índice que compara a força do dólar diante das principais moedas globais – registrava viés de alta (+0,06%).
Nesta manhã, o mercado brasileiro repercutia a decisão do Escritório do Representante Comercial da Casa Branca (USTR) de aplicar tarifas de 25% aos produtos do Brasil, por meio da Seção 301 da Lei de Comércio dos Estados Unidos. A medida entra em vigor em 22 de julho.
Nos últimos dias, o órgão havia iniciado uma audiência pública, que contou com a participação de autoridades brasileiras e de outros países investigados por práticas comerciais desleais. Ao todo, o escritório do USTR abriu cerca de 80 investigações comerciais, que poderiam afetar a China, a União Europeia, a Índia, o Japão, a Coreia do Sul e o México.
No caso do Brasil, o Pix estava entre os principais temas levantados pelo USTR, com a posição de que o sistema de pagamentos restringia as operações de empresas dos EUA no território brasileiro.
Em comunicado, o representante comercial dos EUA, Jamieson Greer, afirmou que “as extensas negociações com o Brasil ao longo do último ano não resolveram essas questões, mas continuamos abertos a prosseguir as negociações com o Brasil para promover as mudanças há muito necessárias.”
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou em suas redes sociais que o país “iniciará imediatamente os trâmites para acionar os instrumentos previstos na Lei de Reciprocidade, aprovada por unanimidade pelo Congresso Nacional, e retomará o tema no âmbito do mecanismo de solução de controvérsias da Organização Mundial do Comércio.”
Associações e instituições brasileiras já estão se pronunciando contra a nova sobretaxa norte-americana e como isso afeta os embarques nacionais. O presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Ricardo Alban, já declarou que o “cenário tende a piorar, corroendo ainda mais a competitividade da indústria brasileira”.
Na agenda econômica dos EUA, os investidores aguardam a divulgação dos dados das vendas no varejo do país norte-americano, bem como o registro de pedidos de auxílio-desemprego na última semana. Indicadores esses que fornecem pistas sobre o andamento da política monetária dos Estados Unidos.
No mercado doméstico, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) informou hoje que o volume de vendas do comércio varejista registrou avanço mensal de 0,1% em maio, na série com ajuste sazonal, ante baixa de 1,6% em abril (dado revisado de 1,5%). A expectativa do mercado era de um alta maior de 0,5%.