O dólar comercial fechou essa sexta-feira (15) em forte alta de 1,60%, cotado a R$ 5,0650, com ganho acumulado na semana de 3,54%. Na máxima do dia, o câmbio alcançou R$ 5,0800; na mínima, foi a R$ 5,0180.
Neste pregão, o mercado seguiu pressionado pelo aumento da aversão ao risco político no Brasil, após novos desdobramentos envolvendo o senador Flávio Bolsonaro e o banqueiro Daniel Vorcaro.
Investidores avaliam que o caso pode enfraquecer a competitividade eleitoral de Flávio Bolsonaro, que vinha sendo considerado um nome forte em eventual disputa presidencial contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
O episódio também ampliou a pressão política sobre o Banco Master e sobre a defesa feita pelo senador da criação de uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) para investigar o escândalo envolvendo a instituição.
A Polícia Federal investiga se recursos ligados a Vorcaro teriam sido utilizados para custear despesas do deputado licenciado Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos. Segundo as investigações, o filme mencionado nas negociações poderia ter sido utilizado como justificativa formal para a transferência dos recursos.
Na agenda econômica doméstica, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) informou que o volume de serviços no Brasil recuou 1,2% em março na comparação mensal. Apesar da queda, o setor ainda opera 18,2% acima do nível pré-pandemia, registrado em fevereiro de 2020, embora permaneça 1,7% abaixo do pico histórico alcançado em outubro de 2025.
No cenário internacional, os investidores acompanharam o encerramento da visita oficial do presidente Donald Trump à China sem grandes anúncios comerciais e sem avanços concretos para solucionar o conflito no Oriente Médio.
A ausência de progresso mantém o Estreito de Ormuz bloqueado, sustentando as preocupações com o abastecimento global de petróleo.
Segundo a Casa Branca, Trump e o presidente chinês Xi Jinping concordaram que o Estreito de Ormuz precisa ser reaberto e discutiram a possibilidade de a China ampliar compras de petróleo norte-americano para reduzir a dependência do Oriente Médio.
Ainda assim, o mercado considera que temas sensíveis entre Washington e Pequim seguem sem solução, incluindo a venda de armas dos EUA para Taiwan.
Nos EUA, o Federal Reserve (Fed) informou que a produção industrial do país avançou 0,7% em abril, enquanto a taxa de utilização da capacidade instalada atingiu 76,1%. Os dois indicadores vieram acima das expectativas do mercado.
Segundo análise da DA Economics, apesar da melhora da atividade industrial, o nível de utilização da capacidade ainda permanece 3,3 pontos percentuais abaixo da média histórica de longo prazo, indicando ausência de gargalos relevantes na economia norte-americana.