A entrada em vigor provisória do acordo entre Mercosul e União Europeia nesta sexta-feira (1º) reacendeu uma disputa interna entre os países do bloco sobre a divisão da cota de exportação de carne bovina ao mercado europeu.

A Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) defende que a distribuição das 99 mil toneladas anuais, com tarifa reduzida de 7,5%, não seja feita de forma igualitária entre Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai.

Segundo a entidade, a divisão deve considerar fatores como capacidade produtiva, regularidade de oferta, habilitação sanitária e histórico de exportações.

“Não se trata de uma divisão meramente aritmética, mas de assegurar que a cota negociada seja plenamente utilizada”, afirmou a Abiec, em nota.

O Paraguai, que ocupa a presidência temporária do bloco, propõe uma divisão igualitária — cerca de 24,75 mil toneladas para cada país. O Brasil resiste à proposta, alegando risco de subutilização da cota.

Na avaliação do setor, países com menor capacidade de fornecimento poderiam não conseguir ocupar integralmente seu volume, reduzindo o potencial de ganhos do bloco como um todo.

Em acordos anteriores, como o firmado em 2004, a divisão da cota seguiu critérios proporcionais, com o Brasil concentrando 42,5% do volume, seguido por Argentina (29,5%), Uruguai (21%) e Paraguai (7%).

Esse modelo, segundo o setor, reflete melhor o peso relativo de cada país nas exportações.

No entanto, fontes do governo indicam que, em um primeiro momento, pode não haver uma divisão formal da cota. Nesse caso, o acesso ao mercado europeu dependeria da capacidade de cada país de fechar contratos primeiro, intensificando a competição dentro do próprio bloco.