O custo do desperdício de alimentos na cadeia global deve atingir US$ 540 bilhões em 2026, uma alta de 2,7% em relação ao ano anterior, segundo estudo da Avery Dennison. O relatório destaca que o problema é um dos maiores desafios financeiros do varejo, impactando severamente a rentabilidade das empresas.

No Brasil, o cenário é alarmante: as perdas da colheita ao ponto de venda representam 32% do faturamento anual da cadeia de suprimentos. A principal causa do prejuízo é a “cegueira” operacional, pois 61% das empresas não sabem onde ocorrem as perdas e 67% ainda dependem de contagens manuais de estoque, método lento e impreciso.

A logística de transporte também é um ponto crítico, com mais da metade dos líderes admitindo não compreender as falhas durante o deslocamento dos produtos. Entre as categorias, as carnes são as mais difíceis de gerir, devendo gerar sozinhas um prejuízo de US$ 94 bilhões em 2026.

Frutas e verduras aparecem em seguida, com 45% de dificuldade de controle. Fatores externos como a inflação e as mudanças no comportamento do consumidor, que passou a buscar porções menores, dificultam ainda mais a previsão de demanda.

Para conter o rombo, o setor aposta em inovação e logística. O investimento em tecnologia é visto como essencial para garantir que os produtos cheguem ao destino com qualidade e custo otimizado.

Se o ritmo atual persistir, o custo acumulado do desperdício até 2030 pode chegar a US$ 3,4 trilhões, ameaçando as metas de sustentabilidade da ONU. No Brasil, onde se descarta cerca de 55,4 milhões de toneladas de alimentos por ano, a modernização da infraestrutura de pós-colheita e armazenamento é vital.