A integração de cadeias produtivas – grãos, pecuária e bioenergia – é, atualmente, a maior virtude do agronegócio brasileiro, afirmou o presidente da DATAGRO, Plinio Nastari, durante o DATAGRO Abertura de Safra Soja, Milho e Algodão.

A sétima edição do evento acontece nesta quinta-feira (20), em Goiânia (GO), e dá o ponta-pé inicial para a safra 2026/27 de grãos do Brasil.

O quinto painel da programação debateu a geração de valor na integração das cadeias produtivas do agronegócio, e contou com a participação do diretor de economia e assuntos regulatórios da Abiove, Daniel Furlan Amaral, da especialista de gestão de risco e inteligência de mercado da Nova Piratininga, Marina Rezende, e do coordenador de inteligência de mercado da Neomille – Cerradinho Bioenergia, William Medeiros.

“Tratamos agricultura e pecuária como uma coisa só. Para decidir qual cultura plantar, olhamos para aquela que irá agregar mais valor para as operações da fazenda”, afirmou Marina, falando sobre a integração entre grãos e pecuária.

Atualmente, a Nova Piratininga atua com confinamento, Terminação Intensiva a Pasto (TIP) e também cria gado a pasto. Além disso, a fazenda opera no ciclo pecuário completo: cria, recria e engorda, com uma taxa de prenhez acima de 90%.

Do lado da integração entre grãos e bioenergia, William Medeiros apresentou que a Neomille está aumentando em 66% a receita bruta ao transformar uma tonelada de milho em etanol e seus subprodutos.

Segundo Medeiros, uma tonelada de milho – adquirida por cerca de R$ 900 – rende três produtos principais – 453 litros de etanol, 239 kg de ddgs e 19kg de óleo de milho – os quais são vendidos por cerca de R$ 1.500. “Estamos agregando cerca de R$ 600 reais por tonelada.

Por fim, Daniel Furlan Amaral afirmou que antes de convencer o mundo dos benefícios dos biocombustíveis, precisamos convencer ainda gente aqui dentro do Brasil de que eles são vantajosos diante dos combustíveis fósseis, além de igualmente eficientes.

“É uma visão muito limitada olhar apenas o preço na bomba na hora de escolher e ignorar os demais efeitos em outros setores. O Brasil importa atualmente cerca de 25% das necessidades de diesel. Se não fosse o biodiesel, seria 40%”, disse.

“Estamos evoluindo. Até anos atrás, as empresas que quisessem aumentar voluntariamente o teor [do biodiesel no diesel] ou adotara o B100 tinham que passar por um crivo burocrático que durava cerca de 6 meses. Hoje isso não existe mais”, completou.