O avanço das pragas e doenças nas lavouras de cana-de-açúcar e os desafios para manter a produtividade estiveram no centro das discussões do Painel 10 – Controle de pragas como aliado para o aumento da produtividade, realizado no segundo dia da 10ª edição da DATAGRO Abertura de Safra Cana, Açúcar e Etanol. O encontro reuniu especialistas para discutir estratégias de manejo e tecnologias capazes de reduzir perdas no campo.

Moderado por Vinicius Lopes, gerente comercial de cana-de-açúcar da Koppert, o debate contou com a participação de Álvaro Sanguino, diretor da ASAS Consultoria; Leila Dinardo, pesquisadora do Instituto Agronômico de Campinas (IAC); e Mariele de Souza Penteado, gerente de qualidade agronômica da Usina Alta Mogiana.

Logo no início do painel, os especialistas destacaram que a dinâmica das pragas na canavicultura vem mudando ao longo dos anos, exigindo maior atenção dos produtores e das usinas.

Para Leila Dinardo, não existe uma única praga dominante na cultura. Segundo ela, o impacto varia de acordo com a região, o ano agrícola e as ferramentas de manejo disponíveis. “O controle precisa ser planejado e baseado em critérios técnicos e econômicos”, afirmou.

A pesquisadora explicou que o manejo eficiente depende de três fatores principais: o nível de infestação, o custo do controle e a viabilidade econômica da intervenção. Na avaliação dela, um dos principais gargalos atuais é a falta de amostragem de campo, já que muitas áreas contam com pouca mão de obra dedicada ao monitoramento das lavouras.

“Hoje existem diversas ferramentas para controle, inclusive produtos biológicos e químicos, mas ainda há deficiência na coleta de informações no campo”, destacou.

A importância do monitoramento também foi ressaltada por Mariele Penteado, que relatou a experiência da Usina Alta Mogiana no acompanhamento das áreas produtivas. Segundo ela, o sucesso no controle de pragas depende de uma combinação de conhecimento técnico, treinamento das equipes e visitas frequentes às lavouras.

Entre as estratégias adotadas estão o uso de variedades mais resistentes, monitoramento constante e parcerias com instituições de pesquisa para aprimorar as práticas agronômicas.

Álvaro Sanguino chamou atenção para a importância de observar não apenas insetos, mas também doenças sistêmicas que vêm avançando nas lavouras, muitas vezes associadas ao uso de mudas contaminadas.

Segundo ele, a falta de diagnóstico correto ainda é um desafio no campo. “Muitas vezes o produtor percebe que a lavoura está sendo afetada, mas não consegue identificar qual doença ou praga está causando o problema”, explicou.

O especialista também alertou para o crescimento de doenças bacterianas e para a necessidade de melhorar a qualidade do plantio e das mudas utilizadas nas áreas de produção.

Ao longo do painel, os participantes reforçaram que o aumento da produtividade da cana-de-açúcar passa necessariamente por um manejo mais técnico das lavouras, com integração entre monitoramento, escolha de variedades adequadas, controle biológico e práticas agronômicas bem definidas.