Nesta quarta (11) e quinta-feira (12), Ribeirão Preto foi palco da DATAGRO Abertura de Safra Cana, Açúcar e Etanol, evento referência para o setor sucroenergético, que deu o arranque para a safra 2026/27 de cana-de-açúcar do Centro-Sul do Brasil, que se inicia oficialmente em 1º de abril. 

O evento chegou neste ano a sua 10ª edição, reunindo mais de 1.600 pessoas entre produtores de cana, agentes de usinas e prestadores de serviços. Ao todo, foram apresentadas mais de 16 horas de conteúdo

Estavam presentes Plinio Nastari, presidente da DATAGRO; Caroline Perestrelo, superintendente executiva corporate agro do Santander; Vinícius Lopes, diretor comercial de cana-de-açúcar da Koppert; Luiz Gustavo Wiechorek, coordenador-geral de cana-de-açúcar do Ministério da Agricultura (Mapa); José Guilherme Nogueira, CEO da Orplana; Guilherme Nolasco, presidente da União Nacional do Etanol de Milho, entre outros. 

Nesta edição, o segundo dia do evento teve uma novidade: foram realizados seis workshops com temas agroindustriais, moderados pela equipe da DATAGRO Alta Performance. Veja essa novidade aqui.

Confira abaixo o que foi debatido em cada painel. 

 

Cerimônia de Abertura

A cerimônia de abertura destacou o fortalecimento do setor sucroenergético brasileiro diante de um ambiente global cada vez mais complexo. Especialistas ressaltaram que crises geopolíticas, disputas comerciais e a necessidade de acelerar a descarbonização da economia ampliaram a importância estratégica dos biocombustíveis. 

O Brasil foi apontado como referência internacional na produção sustentável de energia a partir da cana-de-açúcar. Lideranças do setor também enfatizaram a importância de políticas públicas consistentes, investimentos em tecnologia e estabilidade regulatória para sustentar o crescimento do segmento.

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Painel 1 

No primeiro painel do evento, foram apresentadas as estimativas da DATAGRO para a safra 2026/27 no Centro-Sul do Brasil. As projeções indicam que a moagem de cana deverá atingir 635 milhões de toneladas, um aumento de 4% ante a temporada anterior, refletindo a recuperação da produtividade agrícola e melhores condições nos canaviais. 

A produção de açúcar deve permanecer relativamente estável em 40,7 milhões de toneladas, enquanto o etanol tende a ganhar espaço no mix das usinas. Analistas destacaram que fatores climáticos, custos de produção e preços internacionais continuarão influenciando as decisões de produção do setor. 

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Painel 2

O segundo painel reuniu traders internacionais para discutir os principais movimentos do comércio global de açúcar. Entre os temas debatidos estiveram a expansão da produção na Índia mas que deve ficar abaixo do inicialmente previsto , a redução da safra na Tailândia e os impactos de políticas comerciais e tarifas sobre o fluxo global da commodity.

Os especialistas destacaram que o mercado internacional segue sensível a decisões políticas e climáticas em grandes produtores. Mudanças nas exportações indianas, por exemplo, podem alterar significativamente o equilíbrio entre oferta e demanda global.

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Painel 3

O terceiro painel discutiu o avanço do etanol de milho no Brasil, especialmente na região Centro-Oeste. Segundo os especialistas, a expansão dessa indústria alterou o patamar de preços da saca de milho, ao criar uma nova fonte de demanda doméstica para o grão. 

Os participantes destacaram também que a produção de etanol de milho é complementar à cadeia da cana, ampliando a oferta de biocombustíveis no país e fortalecendo a segurança energética brasileira.

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Painel 4

Os painelistas reforçaram que o Brasil mantém uma trajetória consistente de apoio aos biocombustíveis ao longo das últimas décadas. Durante o debate, foi destacado que programas como o RenovaBio, o Combustível do Futuro e outras iniciativas regulatórias consolidaram o país como referência global em energia renovável. 

Autoridades enfatizaram ainda que a política energética brasileira busca combinar segurança de abastecimento, redução de emissões e competitividade econômica, criando um ambiente favorável para novos investimentos na cadeia de etanol e bioenergia.

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Painel 5

No quinto painel, especialistas analisaram como países latino-americanos produtores de cana vêm diversificando suas cadeias produtivas. Além do açúcar tradicional, muitas regiões têm investido em etanol, bioeletricidade e novos bioprodutos derivados da biomassa. 

Essa diversificação busca reduzir riscos de mercado e ampliar a captura de valor ao longo da cadeia. O painel destacou ainda que o Brasil continua sendo referência tecnológica para a região, especialmente em eficiência agrícola, industrial e no desenvolvimento de soluções energéticas renováveis.

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Painel 6

O sexto painel discutiu a possibilidade de utilização de biocombustíveis no transporte marítimo, um dos setores mais desafiadores no processo de descarbonização global.

Especialistas apontaram que o etanol e outros combustíveis renováveis podem desempenhar papel relevante na redução das emissões do transporte naval, à medida que regulamentações ambientais internacionais se tornam mais rigorosas. Embora ainda existam desafios tecnológicos e logísticos, o setor avalia que essa pode ser uma nova fronteira de crescimento para os biocombustíveis brasileiros.

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Painel 7

O sétimo painel abordou os possíveis impactos do acordo comercial entre o Mercosul e União Europeia para o mercado brasileiro de açúcar. Apesar de bem encaminhado, o acordo ainda depende de avanços nas negociações políticas e na harmonização de regras comerciais e ambientais.

Segundo especialistas, o tratado pode ampliar o comércio agrícola entre os blocos, com um livre-comércio com cerca de 720 milhões de pessoas e Produto Interno Bruto (PIB) de mais de US$ 22 trilhões. Ademais, foram apresentadas perspectivas para a produção de beterraba sacarina na Europa, que vem em tendência de cada há algumas safras. 

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Painel 8

O oitavo painel tratou do uso do etanol como fonte energética para máquinas agrícolas. Empresas do setor destacaram avanços no desenvolvimento de motores movidos a etanol para equipamentos agrícolas, o que pode reduzir emissões e custos operacionais nas propriedades rurais.

A tecnologia ainda enfrenta desafios relacionados à infraestrutura e à adaptação de equipamentos, mas especialistas avaliam que o etanol pode se tornar uma alternativa relevante para a mecanização agrícola sustentável nos próximos anos.

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Painel 9 

O nono painel destacou o papel da tecnologia e da digitalização na gestão das usinas sucroenergéticas.Para os executivos, o uso de ferramentas digitais, análise de dados e automação são uma realidade na vida do produtor e essenciais para aumentar a eficiência operacional e melhorar a tomada de decisões estratégicas.

A transformação digital também contribui para ampliar a competitividade das empresas, permitindo melhor controle de custos e maior integração entre produção agrícola e industrial.

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Painel 10 

O décimo painel abordou estratégias para melhorar a produtividade dos canaviais por meio de manejo eficiente de pragas. Especialistas destacaram a importância do monitoramento constante e da adoção de tecnologias de controle biológico para reduzir perdas e aumentar a eficiência produtiva. O manejo integrado de pragas foi apontado como uma ferramenta fundamental para garantir sustentabilidade e rentabilidade na produção de cana.

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Painel 11

O décimo primeiro painel discutiu a crescente importância dos ratings de crédito das usinas como instrumento de avaliação financeira no setor sucroenergético.

Esses indicadores vêm sendo cada vez mais utilizados por investidores, instituições financeiras e parceiros comerciais para avaliar riscos e orientar decisões de negócios. A maior transparência e padronização das informações financeiras do setor tendem a facilitar o acesso a crédito e estimular novos investimentos.

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Painel 12 

Encerrando a programação, o décimo segundo painel analisou os custos de produção da próxima safra, que devem ser pressionados pela valorização do diesel e do fertilizante, o que exige maior eficiência operacional e estratégias de gestão de risco.

Apesar das pressões de custos, os participantes destacaram que a demanda global por açúcar e biocombustíveis continua favorável, sustentando perspectivas positivas para o setor.

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