O consumo de biocombustíveis na União Europeia deverá crescer 5,9% em 2026, após avançar 6,4% em 2025, segundo relatório anual do adido do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) no bloco europeu. O avanço será sustentado pela competitividade do etanol frente à gasolina e pela implementação contínua da Diretiva de Energias Renováveis revisada (RED II).
No segmento de diesel à base de biomassa (BBD), o consumo aumentou 4,1% em 2025 e deve avançar mais 2,8% em 2026, refletindo o endurecimento das metas de redução das emissões de gases de efeito estufa (GEE) e a adoção de novos mandatos para o Combustível Sustentável de Aviação (SAF).
Apesar da demanda aquecida, a produção de bioetanol combustível da União Europeia deve permanecer praticamente estável em 2026. Segundo o USDA, os principais produtores, como França e Alemanha, já operam próximos da capacidade máxima, enquanto a produção da Hungria continua limitada pela escassez de milho no mercado doméstico e pelas restrições à importação de grãos da Ucrânia.
Já a produção de BBD deverá manter trajetória de expansão. Após crescer mais de 3% em 2025, a expectativa é de alta de 4,2% em 2026, impulsionada principalmente pelo aumento de 7,2% na produção de diesel renovável (HDRD) e SAF.
No comércio exterior, o USDA projeta aumento das importações de bioetanol pela União Europeia em 2026, diante da combinação entre demanda crescente e estagnação da oferta interna. Entre os principais fornecedores, apenas Estados Unidos e Ucrânia deverão ampliar significativamente os embarques ao bloco.
A Ucrânia conta com uma cota tarifária de 158 milhões de litros para exportações de bioetanol à União Europeia e vem ampliando sua participação nesse mercado ao longo da última década. Já o Brasil passou a contar com melhores condições de acesso após a conclusão do acordo União Europeia-Mercosul, embora o USDA avalie que a expansão das exportações brasileiras deverá ser limitada pelo fortalecimento da demanda doméstica.
No mercado de biodiesel e diesel renovável, as importações da União Europeia recuaram 22% em 2025, após a imposição de tarifas antidumping que reduziram fortemente a oferta proveniente da China. Inicialmente, a queda foi parcialmente compensada pelo aumento das exportações da Malásia e da Coreia do Sul. Já os dados preliminares de 2026 indicam um colapso das importações oriundas da Argentina, acompanhado por um rápido crescimento das compras de Índia e Tailândia.