A expansão prevista para o etanol de milho no Centro-Oeste, que já é a principal região produtora do biocombustível a partir do grão, tem como maior desafio a infraestrutura logística de escoamento para os principais mercados consumidores do país – mais próximos da costa litorânea -, quanto dos portos. Este foi o alerta de especialistas reunidos em painel, nesta quinta-feira (16), na 3ª edição da Conferência Internacional UNEM DATAGRO sobre Etanol de Milho, em Cuiabá (MT).
O diretor-executivo da Ultracargo, Fernando Dihel, pontuou que o desafio exige ampliação das rotas de transporte – além de armazenamento – por meio de arranjos multimodais, que combinem trechos ferroviários com rodoviários, bem como a implantação de dutos. “Sem infraestrutra, a commodity agrícola não escala”, lembrou, no que foi endossando pelo consultor da Perotto & Pagot e ex-diretor do DNIT, Luiz Antônio Pagot, que assinalou: “a logística está sempre aquém das necessidades do agro”.
Nesta agenda, o ex-Senador e atual presidente do Conselho da Nova Rota do Oeste, Cidinho Santos, deu ênfase ao projeto de um duto, que propõe ligar Sinop (MT) ao município de Paulínia (SP), principal hub de distribuição de combustíveis do País. “Este duto terá capacidade de escoamento de 13 milhões de metros cúbicos e demanda estimada de investimento da ordem de R$ 22 bilhões”, disse, complementando que “há forte interesse do governo federal em viabilizar a obra, bem como de investidores internacionais”.
O diretor-executivo do Movimento Pró Logística, Edeon Vaz Ferreira, apresentou números que mostram o peso da infraestrutura logística para o chamado “Custo Brasil”. Segundo ele, o custo do transporte terrestre-marítimo de uma tonelada do Brasil para China supera US$ 150, enquanto que na Argentina e nos Estados Unidos, o valor fica abaixo de US$ 90.